Psicólogo é “sonho de consumo” em escolas públicas, diz coordenadora - CANAL MS

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quarta-feira, 27 de março de 2019

Psicólogo é “sonho de consumo” em escolas públicas, diz coordenadora

Esse é, em resumo, a história contada pela série da Netflix “13 Reasons Why” (13 Razões Porque, em tradução livre), que narra a vida da adolescente Hannah Baker, que tira a própria vida depois de um longo processo de depressão e sofrimento dentro e fora da escola. Ainda assim, poderia ser, também, a história da estudante de 14 anos que frequentava a Estadual Professora Fausta Garcia Bueno, no bairro Coophasul e enforcou-se no último sábado (23).
Na ficção, os pais voltaram-se contra a escola, que foi processada. Na vida real, a mãe não culpa a escola, mas relatou que a filha apresentou conflitos. É esse cenário que faz parte, hoje, de uma série de desafios contemporâneos que pedem urgência na relação entre escola e saúde mental, mas que nem sempre encontram um terreno preparado.
Ter psicólogos de prontidão nas escolas é uma das saídas, conforme apontaram diversas pessoas em comentários na rede social Facebook, depois de postada na segunda-feira reportagem que abordou o suicídio da jovem. Ainda assim, as escolas estão longe dessa realidade. “É um sonho de consumo”, admite Paola Lopes, coordenadora da recém criada CPED (Coordenadoria de Psicologia Educacional) da SED (Secretaria Estadual de Educação), em funcionamento há 1 ano e 2 meses..
“Os psicólogos educacionais que nós temos na rede estadual são os que atendem o projeto AJA [Avanço do Jovem na Aprendizagem], nós temos uma equipe para atendê-los. Hoje, está se tentando regulamentar de ter o psicólogo educacional, garantir que ele esteja em todas as escolas do País, não só no estado. É um sonho de consumo, mas acho que a partir do momento que a SED e o governo visualizam essa possibilidade, acho que é um trabalho inicial para ser um disparador para essas políticas. Tem que ter a demanda para fazer as políticas”, comentou a coordenadora e afirmou que há, hoje, essa demanda.
Psicologia educacional – Ainda assim, Paola disse que não é papel da escola agir sozinha, e sim “em conjunto” e afirma que, diferente da "impressão" de apenas agir em questões pontuais, o trabalho da psicologia está presente nas escolas. Manuais de atendimento e de encaminhamento à rede psicossocial e cartilhas sobre comportamentos que fogem ao normal – a exemplo das auto mutilações – já foram distribuídos às direções das escolas estaduais. A psicologia nas escolas, defende, não é clínica, é aliada à melhora das práticas educacionais