Assassinato da mãe que separou oito irmãos há 47 anos tem reviravolta em 2019 - CANAL MS

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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Assassinato da mãe que separou oito irmãos há 47 anos tem reviravolta em 2019

Infância regada a sofrimento, fome, trabalho pesado e assassinato da mãe pelo pai alcoólatra. O reflexo do alcoolismo e feminicídio destrói famílias há muito mais tempo que se imagina, mas uma tragédia que separou oito irmãos no dia 11 de janeiro de 1972 será amenizada após busca incansável e cheia de esperança nas últimas quatro décadas.
Hoje aos 57 anos, Joana tinha apenas dez, quando uma ida à roça em busca de alimento a livrou de ver a mãe sendo esfaqueada pelo pai bêbado. Muito apegada a genitora, o assassinato causou um trauma tão profundo que até hoje enche os olhos d’água.
“Morávamos na roça, passamos muita fome na casa onde a gente morava que era de pau a pique e telhado de coqueiro. Eu era muito apegada a minha mãe e depois da sua morte não conseguia sair para canto nenhum. Ele matou minha mãe por ciúmes de um fazendeiro”, conta Joana.
O crime em uma fazenda de Ribas do Rio Pardo não causou apenas dor da perda, mas uma série de torturas físicas e psicológicas por longos anos. As oito crianças, quatro meninos e quatro meninas, ficaram jogadas e Joana lembra de cada irmão sendo levado por famílias aleatórias que os escolhiam como filhotes de cachorros.

“Os mais pequenos e bonitinhos iam primeiro”, lembra. “Eu fui a que fiquei mais próxima da família, fui criada por uma tia, mas mesmo assim era jogada de uma casa pra outra. Passava um tempo na casa dela e outro na casa de um primo mais velho, pois a esposa com filhos pequenos precisava de ajuda. Meu tio também bebia e às vezes tentava me bater ou judiar de mim e minha tia me mandava de novo para a casa da nora dela”, completa.


Com traumas vivos na memória, Joana lembra que mesmo depois de um tempo, o pesadelo do retorno do pai alcoólatra e assassino a assombrou.
“O meu pai foi preso, mas o dono da fazenda pagou a fiança e ele chegou a aparecer na casa a minha tia. Me escondi embaixo da cama... [pausa na fala, pois Joana ainda se emociona ao lembrar] ... para que ele não me levasse. Eu tinha medo que ele me matasse assim como havia matado a minha mãe. Até que ele foi embora”, contou emocionada.