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terça-feira, 28 de maio de 2019

Em 1ª entrevista após um ano preso, Giroto diz que é o cozinheiro da cela



Preso há 384 dias, o ex-deputado federal e ex-secretário de Obras de Mato Grosso do Sul, Edson Giroto, falou hoje pela primeira vez sobre os mais de 12 meses em regime fechado. ele lembrou do passado na política, do histórico de denúncias que o levaram à prisão e revelou detalhes da vida na cadeia. Contou, inclusive, que é o cozinheiro da cela no Centro de Triagem, em Campo Grande.

O ex-secretário enfrenta nesta terça-feira (dia 28) mais uma audiência na 3ª Vara da Justiça Federal sobre ação da Operação Lama Asfáltica, que aponta lavagem de dinheiro e ocultação de bens. No banco a espera para ser ouvido, Giroto afirmou que paga um “preço alto demais, imposto pelo sistema político... Caro para alguém que fez tanto pelo Estado”.
Além dele, o empresário João Amorim, dono da Proteco Construções, e Wilson Roberto Mariano, ex-servidor da Agesul (Agência de Gestão de Empreendimentos), foram presos durante as investigações.
“Fiz tanto” – Quem visse de longe a cena, imaginaria que alguém apenas conversava sobre a vida. Sem ressalvas, Giroto rememorou episódios da vida política, como os sábados em que ele e o ex-governador André Puccinelli (MDB), na época prefeito de Campo Grande, andavam pela cidade e, no dia seguinte, se reuniam para discutir os problemas da Capital.
"Trabalhava sem parar e dormia três horas por dia, esforço que não valeu a pena", reclama o ex-secretário ao contar que também conhece todo o Estado, já que percorreu de carro 100% das regiões.
Como uma linha do tempo, Edson Giroto chega à eleição para prefeito, em 2012, quando foi derrotado pelo ex-chefe do Executivo municipal, Alcides Bernal (PP), fato considerado “uma das maiores frustrações”.
Aos poucos, o ex-secretário se defende de denúncias que envolvem seu nome e de sua família. Começa pela MS-430, que integra a lista de denúncias na Lama Asfáltica, com indícios de irregularidades na licitação, Giroto disse que ocorreu apenas uma alteração da execução do projeto original.
“Tivemos de mudar a estaca e o Miglioli [Marcelo Miglioli, que assumiu a secretaria em 2015] mandou o projeto original para a Polícia Federal”, que foi induzida ao erro, acusa o ex-secretário, afirmando que foi seu sucessor na pasta quem enviou relatórios sobre "falsas" irregularidades.
Sobre a mansão no Residencial Damha, o ex-secretário afirmou que comprou dois terrenos no local, mas vendeu um deles para construir a casa em uma das áreas. O outro terreno teria sido vendido em 12 vezes, com parcelas de R$ 100 mil, para uma pessoa cujo apelido é “Lito”. Todo dinheiro que entrava era aplicado na construção, afirma. Ele chegou a pedir à Caixa Econômica empréstimo de R$ 1,05 milhão para investir na residência.
Outro valor recebido seria de um apartamento no Rio de Janeiro, de R$ 1,7 milhão, vendido na época da Copa do Mundo, em 2014, quando os imóveis foram valorizados. Os pagamentos foram depositados na conta de sua esposa.
“Se somar”, afirma, o valor é o apontado como propina. A mansão foi alvo da operação em 2015, quando a PF fez buscas. A moradia de luxo foi estimada em R$ 7 milhões, mais do que o triplo do patrimônio declarado por ele em 2012.
“Eu não sou mentiroso, eu vou falar qual foi meu erro, meu erro foi não ter declarado à Receita Federal”. O receio foi ter de pagar um valor alto à título de imposto. Apesar disso, o ex-secretário afirma que tem todas as notas fiscais de construção e documentos, reunidos porque pensava em disputar a eleição de 2012.
Durante todo tempo, Giroto lamentou o destino e deixou claro se sentir injustiçado. Quando questionado se pensa em fazer delação premiada, apenas balançou a cabeça como quem analisa uma situação, mas respondeu que “está muito duro, estou pagando um preço muito alto”.