Máfia local perde terreno e PCC assume rotas do cigarro paraguaio - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Máfia local perde terreno e PCC assume rotas do cigarro paraguaio

O contrabando de cigarro é, junto com o tráfico de cocaína, a atividade mais rentável do submundo do crime no Brasil. São bilhões de reais em prejuízo para o cofre público todos os anos e uma bem organizada rede criminosa para levar o cigarro do Paraguai até as bancas de ambulantes instaladas nas esquinas de qualquer grande cidade brasileira
Para garantir que o cigarro fabricado no Paraguai chegue ao destino, as quadrilhas contam com o apoio de servidores corruptos, principalmente policiais. Dezenas deles estão presos ou sendo processados atualmente em Mato Grosso do Sul, mas o contrabando não parou e pode aumentar com a entrada no negócio das facções criminosas instaladas na Linha Internacional.
O contrabando de cigarro é tema da terceira reportagem da série especial “MS nas mãos do crime” 

Fontes policiais que atuam na linha de frente do combate ao contrabando são unânimes em afirmar que as operações do ano passado – especialmente a Oiketikus em maio e a Nepsis em setembro – enfraqueceram as quadrilhas que formam a Máfia do Cigarro.
Com as prisões de 21 policiais pelo Gaeco na Oiketikus e dos principais chefes do contrabando da fronteira na operação conjunta da Polícia Federal e da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em setembro, o esquema sofreu um duro golpe. Só o grupo investigado na Operação Nepsis mandou pelo menos mil caminhões de cigarro de Mato Grosso do Sul para outros estados.
Mas o poder não tem vácuo, como definiu um policial ouvido pelo Campo Grande News. “Ninguém parou de comprar cigarro paraguaio no Brasil e o Paraguai não parou de fabricar. Então, o negócio continua e com a crise econômica o mercado informal só aumenta”.
Para muitos policiais ouvidos pela reportagem, o cigarro é ainda mais rentável que as drogas, pois é vendido em qualquer esquina, em bares da periferia e bancas de camelô.
Na zona norte do Rio de Janeiro, ambulantes vendem nas ruas as marcas paraguaias, principalmente a Eigth, um dos produtos fabricados pelas empresas do ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes. Por ser legalizado, o cigarro é socialmente aceito e poucos se preocupam com a procedência. O que conta é o valor.