No “vale tudo” do tráfico, até safra de grãos ajuda a exportar cocaína - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quarta-feira, 29 de maio de 2019

No “vale tudo” do tráfico, até safra de grãos ajuda a exportar cocaína

Quem acompanha o noticiário policial se recorda que há não muito tempo havia uma divisão entre os traficantes de Mato Grosso do Sul. As quadrilhas da região sul, de Bela Vista até Coronel Sapucaia, se dedicavam à maconha e os grupos mais ao norte, na região de Corumbá, cuidavam da cocaína vinda da Bolívia.
Recentemente, no entanto, essa situação mudou muito. A maconha continua saindo da fronteira sul, onde ficam as roças da erva no lado paraguaio, mas as apreensões de cocaína se tornaram mais raras na fronteira com a Bolívia ao mesmo tempo em que quintuplicaram na Linha Internacional com o Paraguai.
A rota da cocaína exportada através do Paraguai para o Brasil e mercados internacionais mudou e agora passa por Amambai, Aral Moreira e Ponta Porã, principalmente. A nova do pó branco boliviano é o tema da série de reportagens “MS nas mãos do crime” 

O principal motivo da mudança tem a ver com a característica econômica da região, maior celeiro agrícola de Mato Grosso do Sul. Centenas e centenas de carretas cortam o estado praticamente o ano inteiro levando grãos produzidos na faixa de fronteira, uma oportunidade única para os traficantes esconderem droga em fundo falso embaixo de soja e milho a granel.
“Há muito tempo a estratégia é usada por traficantes locais, mas as apreensões de drogas em cargas de grãos eram esporádicas. Agora, em toda a safra de soja e de milho são dezenas de caminhões flagrados com cocaína e de vez em quando também maconha”, afirmou à reportagem um policial que trabalha na fronteira.
Segundo ele, as facções criminosas presentes na Linha Internacional copiaram o método dos traficantes locais e agora se dedicam a recrutar caminhoneiros e até empresários do ramo de transporte para levar droga de Mato Grosso do Sul para São Paulo e para o Porto de Paranaguá, onde a cocaína é colocada em containers e despachada para a Europa.
Os números comprovam. A Delegacia da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em Dourados apreendeu pouco menos de meia tonelada de cocaína em 2017. No ano passado, a cocaína apreendida nas regiões de Dourados e Ponta Porã dobrou e chegou a quase uma tonelada.