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terça-feira, 2 de julho de 2019

Da cela 17 para Ladário: denunciado por mensalinho quer reaver mandato

Depois de sete meses e seis dias de prisão no Centro de Triagem de Campo Grande, o agora ex-vereador de Ladário, Vagner Gonçalves (PPS), deixou a cela 17 negando as denúncias de participação em mensalinho e vai tentar reaver o mandato na Justiça.
Depois de sete meses e seis dias de prisão no Centro de Triagem de Campo Grande, o agora ex-vereador de Ladário, Vagner Gonçalves (PPS), deixou a cela 17 negando as denúncias de participação em mensalinho e vai tentar reaver o mandato na Justiça.
Em novembro do ano passado, equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) foram às ruas de Ladário, a 419 km de Campo Grande, para cumprir mandados de prisão contra o então prefeito Carlos Ruso e sete vereadoresacusados de receber valores, entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil mensais, para lhe darem apoio na Câmara Municipal.
Ontem (dia primeiro), o TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) concedeu habeas corpus para Gonçalves, que deixou o presídio na manhã desta terça-feira (dia 2). Desde novembro, ele havia saído do Centro de Triagem uma vez, quando recebeu atendimento na UPA Tiradentes (Unidade de Pronto Atendimento) para diabetes. “A glicemia foi a 470. Depois, não saí mais”, diz.
Conhecida como a cela dos famosos, a cela 17 é destinada a presos com ensino superior, mas vem se especializando em abrigar políticos. “São 24 camas e às vezes tem 30 presos. O Giroto é nossa referência, homem exemplar”, afirma Gonçalves sobre Edson Giroto, ex-deputado federal e ex-secretário de Obras, que foi condenado na operação Lama Asfáltica e está preso há mais de um ano.
Em liberdade, o ex-vereador reclama que o MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) não levou à frente suas denúncias contra o vereador Fábio Peixoto de Araújo, que fez a delação do esquema.
“Eu virei um empecilho para eles. Na verdade, eu não fui pego com nada, não tem foto com dinheiro. Sou suboficial da Marinha, cheguei à cidade em 2014 e estava fazendo um trabalho sério. Acho que o Ministério Público foi usado politicamente na tentativa de acertar”, diz.
O ex-vereador vai tentar reaver o mandato porque avalia que o processo de cassação foi irregular, desrespeitando prazos. “Fui eleito pelo povo e só o povo pode me tirar”.
Peixoto disse em dezembro
que as denúncias do então colega de Câmara eram infundadas e que o processaria por calúnia e difamação.
Segundo o advogado Valdecir Balbino da Silva, que representa Gonçalves, a acusação genérica do Ministério Público não individualiza a conduta hipoteticamente atribuída e impossibilita a ampla defesa do acusado.
Moeda de troca - De acordo com a operação, prefeito, secretários e vereadores se uniram para prática de crimes contra a administração pública.
O chefe do Poder Executivo passou a subornar os vereadores para comprar apoio político, aprovação de projetos de seu interesse e arquivamento de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar irregularidades na saúde.