Apesar de "ótima" conduta, assassino de Dudu já tenta semiaberto há 2 anos - CANAL MS

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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Apesar de "ótima" conduta, assassino de Dudu já tenta semiaberto há 2 anos

Em 31 de março de 2010, José Aparecido Bispo da Silva, o Cido, foi condenado a 26 anos de prisão pela morte do menino Dudu, vítima, aos 10 anos, de um crime bárbaro. Os primeiros cálculos de pena apontavam progressão para o regime semiaberto em 5 de setembro de 2019. Mas os anos passaram, Cido trabalhou no presídio, principalmente na atividade de beneficiamento de crina, e, de remição em remição, viu o direito previsto em lei ser antecipado para março de 2017.
Desde então, a Justiça tem negado os pedidos e o preso já passou por quatro exames criminológicos, em busca de uma resposta: ele pode ir para um regime mais brando? A situação divide o MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e a Defensoria Pública.
No processo de execução penal, Cido, 63 anos, é citado como um preso de conduta carcerária “ótima”. Mas, para a promotora Paula Volpe, apenas o parecer disciplinar não era suficiente. Em maio de 2017, pediu a primeira avaliação psicológica. O resultado foi de que não estava apto para o regime prisional semiaberto.
Terceiro filho de um prole de cinco, o preso contou que começou a trabalhar aos 7 anos na lavoura, aos 14 anos mexia com maquinário pesado e se aposentou após acidente de trabalho. Sem reconhecimento de culpa, mostrava-se “significativamente frio, distante, desafeiçoado, sem contato e troca importante com seus semelhantes”.
O resultado foi duramente criticado pela defensora pública Juliana Claudia Honorio Lyrio, que atuava em substituição legal. “Em verdade, o conteúdo do laudo ora impugnado é em sua maioria idêntico a outros já realizados e referentes a outros condenados, como se, curiosamente, todos os indivíduos encarcerados tivessem o mesmo perfil psicológico”. O posicionamento destaca que até 2017 Cido não recebeu tratamento psicológico.
No ano seguinte, 2018, foi realizado novo laudo, desta vez por um segundo psicólogo. Questionado sobre o significado de arrependimento, Cido disse que sentiu arrependimento por ter se deixado envolver com a mãe de Dudu. O resultado do segundo laudo foi uma recomendação para progressão de regime. A constatação foi de que o preso possui “equilíbrio emocional e capacidade de controlar os seus impulsos primários”.