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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Policiais "trocam" bico de segurança por trabalho em aplicativos

Os bicos como segurança acompanham, historicamente, a vida profissional de parte dos agentes de segurança pública, como policiais e guardas municipais, apesar de vetados. Desde que surgiu a modalidade de transporte por aplicativo, isso mudou. Boa parte dos profissionais preferiu migrar de trabalho paralelo e hoje representa parcela razoável dos “motoristas parceiros” das empresas do setor atuantes em Campo Grande. Pelos cálculos de entidade representativa dos prestadores de serviço, de um universo de 10 mil, entre 600 e 800 são das categorias de segurança pública.
encontrando até motorista rodando com arma do serviço público. Andamos com guardas civis municipais, policiais civis, policiais militares, agentes penitenciários e até com um que se apresentou como policial rodoviário federal, categoria que, como se sabe, tem vencimento acima das outras e mais raramente apela aos bicos. O salário inicial de um “PRF” supera os R$ 15 mil. Entre os policiais militares, o vencimento mais baixo, de soldado, é de 3,3 mil. Na Polícia Civil, o salário é em torno de R$ 4,5 mil para os agentes.
Na conversa com os motoristas, sob condição de preservação da identidade e da idade, para não sofrer processos administrativos, os motoristas contam que usam o período de folga para atuar nos aplicativos. “É bom porque eu mesmo faço meu horário e posso trabalhar quando dá”, conta um deles, afirmando ser policial militar.
Outro, que disse ser PRF, revelou o motivo de estar fazendo esse “free lancer”: quer viajar para fora do país e por isso está trabalhando a mais para garantir o passeio.
Um terceiro profissional, também policial militar, admitiu estar usando a arma recebida da Corporação dentro do veículo. “Ando de madrugada, é muito perigoso”. Ele disse que, apesar de estar com o revólver no carro, nunca ter precisado usar.
Presidente da Aplic (Associação Associação dos Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motoristas Autônomos de Mato Grosso do Sul), Paulo Pinheiro reafirma o discurso de utilização das horas vagas para o trabalho nos aplicativos. “É uma excelente fonte de renda para ajudar nas suas despesas do dia a dia. Além do mais são bastante profissionais no que diz respeito ao transporte individual de passageiros”, defende.
Indagado sobre o uso da arma de fogo, Pinheiro afirma ser caso raro e atribui ao nível de insegurança atrelado à vida dos profissionais, volta e meia vítimas de roubos, principalmente nas corridas da madrugada. “Não tem como impedir tal situação, pois não temos acesso, não temos competência de revistá-los”.
Alternativa” - As entidades representativas de policiais militares e de policiais civis, as maiores categorias da segurança em Mato Grosso do Sul, sabem do bico como motorista de aplicativo. A justificativa é a mesma utilizada quando o assunto é a atuação como segurança: salários baixos e insuficientes para os compromissos com a família.
“Nós, hoje, ocupamos a 17ª posição de ranking do país em salário. Estamos há mais de quatro anos esperando reposição salarial e não conseguimos. Os nossos policiais precisam se manter, a inflação altíssima, as coisas todos os dias altíssimas, então nada mais que justo”, afirma o cabo Mario Sérgio Couto, presidente da ACS (Associação dos Cabos e Soldados de Mato Grosso do Sul).