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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Em Mato Grosso do Sul, pena de morte foi instituída, só que o juiz é o PCC

“Não tem cabimento, quem julga é Deus”. O desabafo é de Daniele Martins Pacheco, de 36 anos, que, em menos de um ano, viu o segundo filho vítima das facções criminosas e seu “Tribunal do Crime”. O menino mais novo foi um dos 11 executados, com requintes de crueldade, em Mato Grosso do Sul nos chamados “Justiçamentos”.
Há nove meses, Igor, de 20 anos, foi encontrado morto em cela de presídio em Rondonópolis (MT). A investigação indicou o suicídio simulado do filho mais velho de Daniele, assassinato praticado por integrantes do CV (Comando Vermelho) em represália ao fato do jovem ser do grupo criminoso inimigo, o PCC (Primeiro Comando da Capital).
No Estado vizinho, o poder o CV é notório, diferente de Mato Grosso do Sul, onde o “comando” das unidades do sistema carcerário, e consequentemente do exército que comete por aí crimes ordenados de dentro das celas, é do PCC.
“As organizações criminosas, em especial o PCC, têm agido intensamente em Mato Grosso do Sul, estado de importância fundamental para a expansão criminosa em face de sua localização estratégica. Muitos homicídios têm sido realizados por meio do chamado “Tribunal do Crime”, com específica divisão de tarefas, de forma organizada e hierarquizada, merecendo atenção especial dos órgãos de Justiça e Segurança Pública”, alertou o delegado Jarley Inácio de Souza no dia 6 deste mês, um dia depois do sumiço de Maykel Martins Pacheco, de 19 anos, o segundo filho de Daniele alvo dos “júris”.
Morador da Vila Nha-nhá, na Capital, segundo investigação, o rapaz foi sequestrado e executado por membros do PCC por ser “simpatizante” da facção rival. O corpo não foi encontrado.
Contrariando os defensores da pena de morte, fato é que tal punição já está claramente instituída em Mato Grosso do Sul, e não é de hoje. A diferença é que quem julga, não é Deus, como acredita a mãe que perdeu dois filhos, e nem os juízes, profissionais encarregados de fazer cumprir as leis que regem a sociedade, mas os integrantes das facções.