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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Esposa de pecuarista paga fiança de 250 mil após operação contra doleiro

Alvo da operação Patron, que investiga rede de apoio ao então fugitivo Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”, Cecy Mendes Gonçalves da Mota, de família tradicional de Ponta Porã, foi solta mediante pagamento de fiança de R$ 250 mil. Para o MPF (Ministério Público Federal), a fiança deveria ser mais cara: com valor não inferior a R$ 1 milhão. Na decisão, a juíza federal substituta Caroline Vieira Figueiredo, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, considerou o valor de R$ 250 mil razoável diante da capacidade financeira da presa. Cecy Mota é esposa do fazendeiro Antonio Mota, pecuarista conhecido na região de fronteira.
A magistrada concedeu liberdade provisória e impôs as seguintes regras: proibição de manter contato com os demais investigados (com exceção dos familiares), proibição de deixar o País e entrega do passaporte.
A prisão preventiva de Cecy Mota foi decretada em 13 de novembro e cumprida no dia 19, data em que a PF (Polícia Federal) deflagrou a operação Patron, fase da Lava Jato.
Conforme a procuradoria, os elementos apontam apenas para uma atuação coadjuvante de Cecy Mota “na ocultação e entrega de valores a Myra Athayde”, namorada de Messer. O MPF deu parecer favorável para substituição da prisão preventiva por medidas cautelares.
A defesa alegou que Cecy Mota não tem relação com atividades criminosas, que a investigação teria se exaurido com o cumprimento dos mandados e que ela é pessoa conhecida em sua comunidade, sendo primária e com residência fixa.
Na decisão, a magistrada pontua que presa e a família foram alvos da PF em virtude de estreitas relações com Dario Messer e Myra Athayde. As prisões foram decretadas diante dos indícios de que a família Mota teria auxiliado Dario Messer a fugir das autoridades brasileiras. A investigação destaca que Antonio Mota teria atuado lavando dinheiro em favor de Dario Messer e que o doleiro teria acessado a internet da casa da família no Paraguai, entre maio e setembro de 2018, época que o doleiro estava foragido.
“Forçoso reconhecer que, ao menos diante dos fatos até então revelados, sua participação no suposto esquema criminoso não aparenta ter tido alto grau de relevância”, afirma a magistrada ao conceder a liberdade provisória no último dia 6.
Cecy Mota deixou o estabelecimento penal feminino de Ponta Porã em 10 de dezembro. O Campo Grande News não conseguiu contato com a defesa. Confusão - Cecy foi alvo de uma confusão inusitada durante a operação, segundo informação divulgada pelo portal UOL no fim de semana. A partir da lista de contatos dela, foi levantada a suspeita de envolvimento do grupo investigado com o traficante Luiz Carlos da Rocha, o "Cabeça Branca", preso desde 2017 e apontado como um dos maiores criminosos do País.
Ocorre que a apuração posterior mostrou que o contato na lista do telefone da mulher na verdade era de um corretor, identificado como Luiz Milton Leonardo de Almeida, morto há quase dois anos e meio. O apelido dele também era "Cabeça Branca" e o número de telefone estava sendo usado pela viúva.