Interior 26/12/2019 07:00 Fronteira fecha ano com rastro de fogo e sangue de matança sem controle - CANAL MS

LEIA TAMBÉM

Campo Grande (MS),

Post Top Ad

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Interior 26/12/2019 07:00 Fronteira fecha ano com rastro de fogo e sangue de matança sem controle

A violência manchou de sangue a Linha Internacional entre Brasil e Paraguai em 2019. Apesar de moradores e policiais da região afirmarem que a fronteira sempre teve muitas mortes, a matança deste ano não tem precedentes. Os assassinos armados com pistolas 9 milímetros e fuzis automáticos foram implacáveis tanto em Ponta Porã e Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul, quanto nas paraguaias Pedro Juan Caballero e Capitán Bado, as maiores e mais violentas cidades da fronteira.
Números não oficiais, coletados por jornalistas paraguaios que cobrem a violência na fronteira, afirmam que ocorreram pelo menos 250 execuções neste ano nos dois lados da Linha Internacional. Seriam 114 do lado brasileiro e 136 do lado paraguaio.
Embora a maioria das autoridades trate a situação como normal por causa da guerra entre quadrilhas pelo controle do bilionário comércio de drogas e armas – e também o contrabando, outro setor do crime que despertou atenção das facções – não há como negar: 2019 foi ainda pior.
Em quase todos os dias deste ano teve alguma morte na fronteira. Ou era um corpo encontrado “desovado” em estradas ou uma pessoa fuzilada na rua, em plena luz do dia, ou dentro de casa, como ocorreu na noite de 12 de setembro, quando bandidos armados invadiram a casa do empresário Elesbão Lopes Carvalho Filho em Ponta Porã e o mataram com tiros na cabeça.
Elesbão era proprietário de uma casa das embalagens na cidade, mas já havia sido condenado a 132 anos de prisão pelo então juiz federal Odilon de Oliveira, em 2004. Entre 1992 a 1997, Elesbão autorizou aberturas de contas em nomes de “fantasmas” e “laranjas”, na agência do BCN em Ponta Porã.
Foram 29 contas abertas, por onde foram desviados R$ 3 bilhões. Os desvios vieram à tona em grandes escândalos de corrupção no país, mas os verdadeiros donos das contas nunca foram descobertos.
Múltiplas execuções também marcaram o ano na Linha Internacional. Na madrugada de 22 de maio, seis pessoas foram executadas em Pedro Juan Caballero. As vítimas teriam integrado a quadrilha liderada pelo narcotraficante pontaporanense Jarvis Gimenes Pavão, apontado como um dos maiores fornecedores de cocaína da América do Sul, atualmente recolhido no Presídio Federal de Mossoró (RN).