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sábado, 14 de março de 2020

Após 15 julgamentos, serial killer Nando acumula 175 anos de pena

Após um ano e sete meses de rotina de júris marcada por escândalos, gritos e choro, chegam ao fim os julgamentos de Luiz Alves Martins Filho, o Nando, considerado o pior serial killer de Mato Grosso do Sul, com penas somadas em mais de 175 anos de prisão. Nesta sexta-feira, 13 de março, ele foi condenado pelo último assassinato levado à justiça, o de Eduardo Dias Lima,  adolescente de 15 anosEm junho de 2018, Nando começou a ser julgado por série de assassinatos, todos descobertos no final de 2016 através de uma investigação em conjunto entre Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventudes) e DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídio).
Foi constatada então a ação de um “grupo de extermínio” liderado por Nando e responsável pela morte de pelo menos 16 pessoas do Bairro Danúbio Azul. Os alvos eram obrigatoriamente envolvidos com consumo de drogas e inseridos em contexto de vulnerabilidade social.
A investigação levou as equipes até um “cemitério clandestino” no Jardim Veraneio, local que era usado pelo grupo para matar e enterrar os corpos.
Todas as vítimas eram estranguladas com uma correia de máquina de lavar roupa e deixadas de cabeça para baixo em covas feitas pelos suspeitos. Foram dias de escavação na área e vários corpos encontrados.
Confissão - Preso, Nando apontou o local em que enterrou várias vítimas, deu detalhes dos casos, confessou os assassinatos e se intitulou “justiceiro” do bairro, afirmando que matava apenas quem cometia furtos e roubos na região. Ao ser levado ao tribunal, mudou completamente os depoimentos.
Nos quinze julgamentos, alegou que foi torturado na delegacia para confessar os crimes e atribuiu os assassinatos ao ex-amante, conhecido como Vasco.
Durante os primeiros depoimentos, Nando passava por tratamento de tuberculose e por isso falou por videoconferência. Quando começou ir até plenário do Tribunal do Júri, protagonizou escândalos, surtos e gritos. Por conta da agressividade, voltou a acompanhar seu próprio julgamento do presídio e em seu último júri falou, mais uma vez, por videoconferência.
Eduardo, tinha 15 anos quando foi assassinado, em dezembro de 2015. O crime, segundo o Ministério Público, aconteceu depois que o menino furtou a casa de Nando, por vingança. Em agosto do ano passado, Nando e Michel foram levados ao plenário para serem julgados pelo assassinato, mas após um surto, o serial killer precisou para o posto de saúde.
O julgamento continuou mesmo sem Nando, que já tinha prestado depoimento, mas precisou ser interrompido e cancelado depois que o promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos desmaiou no plenário e foi socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Nesta sexta-feira o final foi diferente. Sem a presença do serial killer os jurados condenaram os dois réus por homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima e também por ocultação de cadáver. Para Nando, o juiz Aluízio Pereira dos Santos determinou pena de 15 anos e 10 dias-multas pelos dois crimes. Para Michel, 13 anos e 10 dias-multa.