Na rua onde adolescente era mantido em cárcere, silêncio predomina - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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terça-feira, 3 de março de 2020

Na rua onde adolescente era mantido em cárcere, silêncio predomina

Na rua da casa onde um adolescente de 16 anos era mantido em cárcere e obrigado a fazer programas sexuais para quitar dívida de moradia, o que prevalece é a lei do silêncio. Ninguém quer se envolver no que parece ser conhecido por muitos. A vítima foi resgatada pela Polícia Militar e Conselho Tutelar na noite de ontem (2) no bairro Amambaí, em Campo Grande.A residência na Rua Orpheu Baís, bem próximo ao Horto Florestal tem fachada simples. O interior da casa é blindado por um portão todo fechado. O de entrada e saída e pedestres é monitorado por uma câmera de segurança.
Na região, o que impera é a lei do silêncio por medo de represálias. Uma comerciante, de 30 anos, que não quis se identificar, contou em poucas palavras que a movimentação na casa é intensa durante todo o dia, mas sem aglomeração em frente ao imóvel. ''Os clientes entram e saem rápido. Ninguém fica parado no portão", disse.
Segundo a comerciante, todos na região sabem que o local é ponto de prostituição, porém ela garante que desconhecia a informação de que na casa havia um adolescente. Outras duas tentativas de entrevistas foram sem sucesso e os moradores disseram que nunca viram nada no local, mas que sabiam que o local era habitado por travestis.
O caso - O caso chegou à polícia após o adolescente fazer uma denúncia ao Conselho Tutelar da cidade de origem, em Rondonópolis, no Mato Grosso. Segundo a vítima, ela era mantida em cárcere e obrigada a fazer programas para pagar as diárias na casa. Ela também havia recebido da cafetina um RG falso, com nome de outra pessoa e com idade de 27 anos.
Na noite de ontem (2), uma equipe da Polícia Militar e do Conselho Tutelar foram até o endereço e encontraram Márcio Alves Nunes, 49 anos, conhecido como Karina, dono da casa.
Presa, a travesti contou que é dona do pensionato há oito anos e que os hóspedes mensalistas podem fazer o que quiser dentro dos quartos, inclusive programas, mas negou que fosse cafetina. A suspeita também negou que tivesse fornecido documento falso ao adolescente e disse que ele apresentou o RG no dia que entrou no pensionato.