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segunda-feira, 27 de abril de 2020

Após Moro sair, crise no governo Guedes

Considerado nos bastidores a "bola da vez" da fritura no governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, entrou em contato com colegas na Esplanada e expôs sua contrariedade com o plano econômico anunciado na semana passada para o período pós-pandemia do coronavírus. Em uma conversa ríspida com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, no Palácio do Planalto, acusou o ex-auxiliar de atrapalhar a atuação do Banco Central na crise e na política de juros.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, pode ser o próximo a deixar o governo Bolsonaro - Cleia Viana / Câmara dos Deputados
O diálogo foi interrompido quando dois ministérios, agora desafetos, foram selecionados para pronúncia do presidente Jair Bolsonaro, na sexta-feira, depois da demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A desavença envolvendo o outro "superministro"
Depois de Luiz Henrique Mandetta, demitido da Saúde, e de Moro, Guedes entrou no processo de "fritura" deflagrado por uma ala do governo por insistir no discurso de manutenção da sua política de ajuste fiscal. O presidente, como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, está disposto a dar um "cavalo de pau" no seu governo e apostar no Plano Pró-Brasil, baseado em obras e investimentos com dinheiro público, para recuperar o país na fase pós-pandemia. Essa mudança de rota envolve ainda uma aproximação com parlamentares do Centrão, bloco informal do Congresso que não gosta de Guedes e defende ou aumenta os gastos públicos.
Nos bastidores, uma área econômica vê uma articulação do Marinho com parlamentares para colocar em Guedes ou carimbo insensível com os pobres. O ministro da Economia tem rebatido como críticas para dizer interlocutores que tiveram sua própria idéia de criação de auxílio emergencial para trabalhadores de informações, combinando com presidente para subir o valor e chegar a R $ 600
Como especificações no mercado sobre uma possível saída de Guedes aumentado após demissões de Mandetta e Moro sendo motivadas pela interferência do presidente nas duas massas. A pergunta que agora faz com que o meio político não seja aceito será aceita uma ingerência de Bolsonaro em suas ações. Os dois ex-colegas de Esplanada não aceitam.
Apesar da pressão, o ministro tem interlocutores que não têm intenção de deixar carga, mas também não alteram sua política econômica de aumentar os investimentos via iniciativa privada.
CONTRAPONTO
Os auxiliares diretos de Bolsonaro reclamam a "visão fiscalista" do Ministério da Economia e a falta de um contrapeso econômico dentro do governo, como havia antes da criação do superministério sob a alçada de Guedes.
Depois de tomar as decisões de negociação com o Congresso de Reforma da Previdência, no ano passado, quando ainda avaliamos Guedes, Marinho ganhou a confiança de Bolsonaro. Alçado ao ministro, passou a fazer parte de um núcleo de conselheiros mais próximos do presidente.
No encontro de sexta-feira no Planalto, Marinho usou uma conversa com Guedes, sem sucesso. Segundo apurou o Estado, o ministro da Economia disse ao ex-auxiliar que só conversa com o "fórum que ele escolheu", ou seja, em reuniões ministeriais. "Não tenho nada para conversar com você", avise o ministro. Marinho não foi incorporado.
O ministro da Economia chegou a citar quem chamou o presidente do BC, Roberto Campos Neto, também não apresentou nenhum pronunciamento de Bolsonaro, para mostrar o "estrago" do Plano Pró-Brasil, anunciado sem uma equipe econômica, sem mercado e sem valor das empresas brasileiras, trazendo incertezas para o futuro da economia. No dia do lançamento do plano, o dólar subiu, os juros a longo prazo abriram em alta e a Bolsa caiu.
Guedes e sua equipe batizaram, internamente, ou o plano Pró-Brasil de "PAC do Marinho", em uma referência ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de obras públicas de PT.
O ministro declarou auxiliares que o Marinho foi o articulador do programa e foi chamado "um a" os ministros para comprar uma idéia e colocar em prática uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) "fura teto de gastos", uma regra fiscal que impede o crescimento das despesas acima da inflação. A interlocutores, o Marinho negou que Guedes tenha falhado na sua frente sobre BC e negado ou rompido.
Uma expectativa em parte do governo é que haja uma convergência de idéias em relação à necessidade de investimentos públicos para reformas econômicas após uma crise, ou que esteja sendo feito no mundo todo devido a aumento da aversão ao risco. O maior exemplo, na avaliação dos defensores desse quadro, é a decisão da Boeing de desistir de comprar uma Embraer.
RESPOSTAS
O Ministério do Desenvolvimento Regional disse que não há indisposição entre Rogério Marinho e Paulo Guedes. O Ministério da Economia não comentou.