Pantanal amanhece encoberto de fumaça, com mais 150 focos de queimadas - CANAL MS

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sábado, 25 de abril de 2020

Pantanal amanhece encoberto de fumaça, com mais 150 focos de queimadas

Corumbá amanheceu mais uma vez coberta de fumaça. O Pantanal queima e o tempo seco e o vento se tornam o combustível perfeito para as chamas, que aos poucos destrói o bioma da maior planície de inundação do mundo. Só neste sábado, dia 25 de abril, são registrados 150 focos de incêndios na região.  Nessa semana, as equipes de combate aos incêndios florestais precisaram se dividir em quatro pontos: o primeiro na região da Bahia Vermelha, próxima à fronteira com a Bolívia, outros dois próximos a área da Escola Jatobazinho e o último na região da Ilha Verde, no Paraguai-Mirim.

A missão é uma só: impedir que o fogo atinja a Serra da Amolar, área localizada na fronteira do Brasil com a Bolívia, entre Cáceres (MT) e Corumbá (MS), onde estão localizados o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e três reservas particulares do Patrimônio Natural. Para isso, uma verdadeira força-tarefa foi montada. Militares do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e do Distrito Federal, brigadistas contratados pela Instituto do Homem Pantaneiro, equipes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), se uniram na frente de combate aos incêndios.

O helicóptero do Grupo de Patrulhamento Aéreo da Policia Militar de Mato Grosso do Sul foi enviado para ajudar na locomoção dos militares e dois aviões Air Tractor, específicos para o combate a incêndios florestais, com capacidade de lançar até 3 mil litros de água, reforçaram o combate aos focos.

Como todos os focos ficam em áreas de difícil acesso, impossíveis de chegar de carro ao até mesmo trator, barcos e o helicóptero do Grupo de Patrulhamento Aéreo são usados para levar as equipes até as áreas queimadas. O trabalho é de “formiguinha”, só três militares ou brigadistas podem ser levados por vez na aeronave. É dessa maneira que os militares chegam ao principal foco de incêndio neste sábado, na região da Ilha Verde. Conforme o tenente-coronel Waldemir Moreira Júnior, chefe do Centro de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, só para esse ponto serão enviados 14 militares dos 50 que trabalham na operação no Pantanal.

Além dos dois aviões, que podem lançar água diretamente nos pontos de incêndios, os militares usam abafadores e uma motobomba para drenar água de lagoas da região e apagar o fogo que insiste em se espalhar pela vegetação. “O que aconteceu nessa região é tivemos muito vento nos últimos dois dias aqui, por conta disso o incêndio ganhou grandes proporções”, explica presidente do Instituto do Homem Pantaneiro, coronel Ângelo Rabelo. Ainda conforme Rabelo, outro ponto que preocupa é o localizado na região da Bahia Vermelha. Desde ontem as equipes concentram os trabalhos na área e a expectativa é extinguir completamente o incêndio no local ainda neste sábado. “Estamos enfrentando uma situação delicada, condições climáticas né. Está muito seco, choveu 40% daquilo que é previsto nessa época, o pantanal secando áreas que há mais de 30 anos não secava e os locais são todos de difícil acesso”, reforçou presidente do Instituto do Homem Pantaneiro.

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam que só em 2020 já foram identificado 1.588 focos de incêndio em Corumbá, de 1º de janeiro a 24 de abril, maior registro do país. Na mesma época do ano passado, foram 1.052 focos detectados pelo satélite de referência.