No grupo de risco da covid, prefeitos tentam driblar doença e cumprir expediente - - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quinta-feira, 4 de junho de 2020

No grupo de risco da covid, prefeitos tentam driblar doença e cumprir expediente -

Em Mato Grosso do Sul, dos 79 prefeitos, 29 tem idade igual ou acima a 60 anos e, destes, sete de 70 a 75 anos. Mesmo sem levar em conta a pré-existência de doença crônica, fazem parte do grupo de risco mais propenso a complicações por conta do novo coronavírus (covid-19), mas não podem recorrer totalmente ao isolamento social e, ainda, precisam dar exemplo de distanciamento e etiqueta respiratória. - Dos 1.892 casos de infectados pela covid-19 no Estado, a maioria está na faixa etária dos 30 a 39 anos (28,5%). Mas, das 20 mortes, 15 são de pessoas acima dos 60 anos e com exceção de um óbito, todos os outros pacientes tinham comorbidade, como hipertensão, diabetes ou doença cardiovascular. - “Eu tenho 72 anos e sou diabético, imagina como que não estou? Tenho que ter cuidado”, disse o prefeito de Rio Brilhante, Donato Lopes da Silva (PSDB). O município, distante 164 quilômetros de Campo Grande, ocupa a 6ª posição em infecções no Estado, com 89 casos confirmados da doença, conforme atualização do boletim da prefeitura, números que ainda vão chegar na contagem da SES (Secretaria Estadual de Saúde).

O prefeito diz que costuma ir à prefeitura por volta das 7h, reúne-se com poucos membros do comitê de combate à covid-19, atende outras demanda e cumpre expediente presencial de cerca de 3h. “Aí eles tocam a vida e eu fico trabalhando por telefone, em casa, o dia inteiro”. Desde que os casos aumentaram, diz que ele e a esposa, Iraci, 72 anos, não vêem os filhos, os seis netos e os três bisnetos. “A gente se vê por vídeo”.

Dependendo da agenda, Lopes diz que o secretário Municipal de Saúde é convocado. “Eu estou evitando alguns lugares, aí ele me auxilia, tem 50 anos, toca o barco e tira de letra”.

Um ano mais velho que o colega, o prefeito de Cassilândia, Jair Boni Cogo (PSDB), tem a seu favor, por enquanto, o fato do município distante 433 quilômetros de Campo Grande não ter nenhum caso confirmado da doença. “Mas tenho todas as doenças que você possa imaginar, sou 100% grupo de risco”, disse, sem detalhar quais são.

Cogo já se submeteu ao teste rápido e resultado foi negativo para a doença. No dia a dia, diz que recorre às precauções gerais, como uso de máscara e álcool em gel. Caso precise fazer reunião na prefeitura, o grupo não passa de dez pessoas, respeitando o distanciamento. “Acho que Deus está me ajudando”. -