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sexta-feira, 19 de junho de 2020

Poder e violência: saiba tudo sobre a operação contra Jamil Name e Fahd Jamil

Não é por acaso que os policiais responsáveis pela terceira fase da Operação Omertá, que tentou cumprir dezenas de mandados de prisão, denominaram esta terceira fase como Armagedom. 
Ela agiu contra os laços de influência e poder que o grupo chefiado por Jamil Name e Jamil Name Filho - ambos agiam em Campo Grande - tinha com vários órgãos da administração pública, e também com Fahd Jamil, de Ponta Porã, chamado de “Rei da Fronteira”, e considerado seu parceiro para trama de execuções e movimentações de arma.  
Em relação às autoridades, a operação resultou na prisão do conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, Jerson Domingos , cunhado de Jamil Name; na prisão do delegado de Polícia Civil Márcio Obara, ex-titular da Delegacia Especializada de Homicídios de Campo Grande, que teria efetuado várias ações para dificultar investigações envolvendo execuções em que o grupo de Name e Fahd Jamil eram suspeitos de serem os mandantes. 
Foram feitos buscas no apartamento do ex-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e desembargador aposentado Joenildo de Souza Chaves, que conforme o Grupo de Apoio Especial na Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), teria agido para obstruir as investigações.  
Ao pedir os mandados de prisão preventiva, de prisão temporária e de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira (18), o Gaeco dividiu a nova fase da organização criminosa em dois núcleos: o comandado por Jamil Name, em Campo Grande, e o comandado por Fahd Jamil, em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai.  
Como o leitor poderá perceber a seguir, os investigadores usaram provas robustas, que envolvem além do tradicional monitoramento de conversas telefônicas, informações telemáticas fornecidas pelo Google, como pesquisas em sistemas GPS e de busca feita por alvos da operação, além de áudios e conversas pelo aplicativo Whats App, verificadas após apreensões de telefones celulares na segunda fase da Operação Omertá, em 17 de março. Também houve quebra de sigilo bancário dos investigados, e monitoramento de suas transações financeirasALIANÇA COM FAHD JAMIL
O assassinato de Ilson Martins Figueiredo, ocorrido em 11 de junho de 2018, conforme a investigação do Gaeco e dos policiais do Grupo Armado de Repressão a Assaltos e Sequestros (Garras) é o elo que expõe a aliança existente entre o que os investigadores chamam de organizações criminosas de Jamil Name e de Fahd Jamil.  
A motivação do assassinato de Figueiredo seria o desaparecimento de Daniel Alvarez Georges, filho de Fahd, visto pela última vez em 2011, no Shopping Campo Grande. Daniel foi oficialmente declarado morto no fim do ano passado, oito anos após nunca mais ter sido visto.  
Figueiredo estaria - supostamente - envolvido na execução de Daniel Georges e, por isso, foi alvo da aliança entre as duas quadrilhas, segundo o Gaeco. Um dossiê que havia no carro de Figueiredo demonstrava quem seria o mandante de seu assassinato. O material não foi aproveitado no inquérito que investigou seu assassinato, omissão que revelou o compromisso de delegado Márcio Obara com o grupo de Jamil Name e Fahd Jamil (leia adiante).VINGANÇA
Além do assassinato de Figueiredo, o grupo de Fahd Jamil, motivado pelo desejo de vingança pelo “sumiço” de Daniel Georges, também teria executado o pistoleiro Alberto Aparecido Roberto Nogueira (o Betão), em abril de 2016, e também de Orlando da Silva Fernandes (o Bomba) em outubro de 2018.
O grupo de Fahd Jamil, conforme informa o Gaeco, também mantinha na Fazenda Três Cochilhas, em Ponta Porã, uma fazenda que seria um verdadeiro “bunker”. Uma espécie de quartel-general da pistolagem. Os investigadores do Garras e do Gaeco acreditam que José Moreira Freires e Juanil Miranda, desaparecidos desde a primeira fase da Omertá, em setembro, estão ou estiveram escondidos por lá.  
O monitoramento avançado do Gaeco ainda permitiu verificar movimentações financeiras envolvendo os grupos de Jamil Name e Fahd Jamil. Elas sempre ocorriam em maior volume perto das  datas das execuções. Foram pelo menos oito transferências entre os grupos, no valor de R$ 130 mil, indica a investigação.  
No grupo de Fahd Jamil - ele era alvo de mandado de prisão preventiva que não foi cumprido - estão presos o filho dele, Flávio Correia Jamil Georges, Marco Monteoliva, Melciades Aldana (o Mariscal) e Thyago Machado Abdul Ahad, agentes operacionais e também alvos de mandados de prisão preventiva, e mais três policiais, Frederico Maldonado Arruda e Elvis Elvir Machado Lima, da Polícia Civil, e Everaldo Monteiro de Assis, policial federal, apontado como agente de inteligência (pesquisava detalhes do cotidiano dos alvos das quadrilhas). Everaldo também prestaria serviços ao grupo de Jamil Name, apontou a investigação.