Carceragem "especial", 3ª DP tem investigadores e delegados dividindo 2 celas - - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Carceragem "especial", 3ª DP tem investigadores e delegados dividindo 2 celas -

Preso desde o dia 17 de junho, quando foi alvo da operação Omertà, sob acusação de receber propina para atrapalhar investigações de assassinatos ao invés de concretizá-las, o delegado Márcio Shiro Obara vai continuar preso, segundo decisão judicial desta semana. Ele está em cela da 3ª Delegacia de Polícia Civil em Campo Grande, no Bairro Carandá Bosque, unidade que hoje abriga mais dois delegados acusados de crime. - li também estão outros três agentes da lei, todos implicados na operação contra milícia armada desencadeada em setembro do ano passado. São dois policiais civis e um federal. Soma-se, então, seis policiais na 3ª DP, cuja carceragem é dedicada a custodiar integrantes da Polícia Civil sob suspeita de ir para o lado dos bandidos, mas também recebe, como é o caso no momento, gente de outras instituições de segurança.

Quem está há mais tempo no lugar são dois delegados.  Fernando Araújo da Cruz Junior, 34 anos, réu por assassinar o boliviano Alfredo Rangel Weber, de 48 anos, em 23 de fevereiro de 2019, está na cadeia desde março de 2019 quando foi capturado em Corumbá em ação da Corregedoria da Polícia Civil, ou seja, há quase um ano e meio. Já tentou a liberdade algumas vezes, sem sucesso.

A outra autoridade policial é Éder Oliveira de Moraes, 51 anos, no cárcere desde 24 junho de 2020, há um ano portanto. Ele é processado por tráfico de drogas, por envolvimento no furto de 101 quilos de cocaína da delegacia de Aquidauana, que chefiava, e também porte ilegal de arma.

Responde, ainda, por estupro de vulnerável em processo no aguardo de sentença desde novembro do ano passado, como apurado pela reportagem. Éder chegou a conseguir recentemente o benefício da liberdade com uso de tornozeleira, mas a decisão foi revertida pela Justiça.

Os três delegados estão afastados das funções e vão passar por processo que pode redundar em exclusão da corporação, quando acabarem as ações judiciais. Éder e Obara tiveram, em maio, rendimentos brutos de R$ 29 mil. Fernando, delegado há menos tempo, registra remuneração de R$ 21 mil sem os descontos. - Omertà - Os outros policiais que dividem a carceragem da 3ª DP com os delegados são os agentes de polícia judiciária Elvis Elir Camargo de Lima e Frederico Maldonado Arruda e ainda o policial federal Everaldo Monteiro de Assis.

Os três são réus por fazer parte da agência de pistolagem investigada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) e pelo Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros).

Todos já tentaram a liberdade e os pedidos têm sito negados reiteradamente, inclusive pelas instâncias superiores, como o STF (Supremo Tribunal Federal). Os três policiais estão na prisão desde 27 de setembro do ano passado, quando houve a primeira fase da Omertà.

Preso na terceira fase, sob suspeita de recebimento de propina de R$ 100 mil, o delegado Márcio Shiro Obara, ex-titular da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) teve o primeiro pedido de liminar em habeas corpus negado esta semana, pelo juiz substituto em segundo grau Waldir Marques, com quem estão ficando todas as análises de pedidos de soltura de envolvidos com a organização criminosa. -