Castigado sem chuvas e vítima do fogo, Pantanal agora exibe “vidas secas” Parcelas de terra esturricada na Serra do Amolar exibem peixes e jacarés mortos em imagem de alerta à mudança climática - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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terça-feira, 11 de agosto de 2020

Castigado sem chuvas e vítima do fogo, Pantanal agora exibe “vidas secas” Parcelas de terra esturricada na Serra do Amolar exibem peixes e jacarés mortos em imagem de alerta à mudança climática - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

 Quem conhece a diversidade do menor bioma em território, mas um dos maiores em complexidade, choca-se com imagens que só a pior seca dos últimos 22 anos foi capaz de exibir no Pantanal. Na Serra do Amolar as terras alagadas estão secas e esturricadas. O lugar onde antes haveria ao menos um pouco de água, resultado do rescaldo das cheias, exibe agora “vidas secas”.

As imagens foram feitas pelo IHP (Instituto do Homem Pantaneiro). Diretor presidente dop IHP, Angelo Rabelo aponta que mais de 50% do Pantanal está, hoje, seco, com destaque da para as baías pantanosas ou alagadas da Serra do Amolar.

Refúgio da maioria das espécies pela proteção dos morros, além de abrigar a subsistência de várias comunidades tradicionais, a Serra é a fronteira onde equipes tentam impedir que os incêndios tomem conta. É o que explica o diretor do IHP. Os morros da Serra do Amolar são considerados "território perdido" para o fogo se forem alvos das chamas.

Morrem, sem água, peixes, jacarés e diversos animais que dependem da umidade para existirem, conforme registram as equipes do IHP. As imagens dramáticas lembram cenário muito diverso desse bioma e trazem à memória o Polígono da Seca nordestino onde a água é quase uma lenda passada de pai para filho.


Deitados na terra recortada das baías secas do Pantanal, é impossível olhar para esses animais sem lembrar do livro mais famoso de Graciliano Ramos.