Do Tocantins a Campo Grande: saga de irmã é resgatar Ronaldo de pontes Aos 71 anos, ela desabafa que não tem mais forças para socorrer o irmão caçula, que vive a sumir no mundo - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Do Tocantins a Campo Grande: saga de irmã é resgatar Ronaldo de pontes Aos 71 anos, ela desabafa que não tem mais forças para socorrer o irmão caçula, que vive a sumir no mundo


Sobre a personalidade, ela descreve o irmão como muito bravo, o que a faz lembrar do pai, com quem também guarda muita semelhança física. “Vendo as fotos no jornal, parece que estava vendo meu pai. A mão, o olho torto é o meu pai purinho”, diz. Ronaldo "mora" em pornte, a 30 km da área urbana de Campo Grande. (Foto: Marcos Maluf)

Seja no Tocantins, Ceará ou Mato Grosso do Sul, a saga da irmã de Ronaldo Antônio Pereira, 50 anos, é resgatá-lo de pontes, assim como foi encontrado pelo Campo Grande News na semana passada.


O que há décadas Elizabeth Antônio Pereira, 71 anos, tenta, mas sem sucesso, é construir uma ponte para que o irmão, o caçula que só gostava de roupa social, se insira numa rotina “normal”, nessa em que se pula da cama cedo, se sorri um sorriso pontual,  toma-se banho e começa mais um dia de trabalho.


Mas a realidade é de quatro dias de briga para que barba, que já se aproximava do umbigo fosse cortada, outra dose de discussão na hora do banho e ter em casa um irmão que prefere ficar de cócoras a se sentar numa cadeira.

“Há uns seis  anos, busquei ele no Tocantins. Foi o maior gasto, comprei roupa, levei ao médico. Fiz tudo o que podia. Mas, nossa senhora, é muita desobediência, ninguém consegue dominar”, conta Elizabeth, que mora em Rondonópolis (Mato Grosso)

Há seis anos, ele estava em uma ponte em Palmas, capital do Tocantins, foi encontrado por policiais rodoviários federais e levado para o hospital diante do quadro de desnutrição.

Ela conta que a família é natural de Campo Grande, mas não teve infância na fazenda e nem fuga aos 7 anos, como disse o irmão à reportagem. “São sete irmãos e o Ronaldo saiu de casa quando tinha 20 anos. Meu pai era bombeiro hidráulico na Base Aérea. Minha mãe sempre foi empregada doméstica. A gente morava de aluguel, numa casa de tábua, no bairro Santo Antônio”, rememora.

Elizabeth cita que Ronaldo já teve melhores condições, sendo dono de estacionamento no Centro de Campo Grande, mas o dinheiro se perdeu no jogo e ele caiu no mundo.