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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

"Fantasma" do Jardim Presidente, posto de saúde abandonado é folclore do bairro

Portões da obra ficam abertos na Rua Maria Flauzina, Jardim Presidente. (Foto: Kísie Ainoã)
©DIVULGAÇÃO
Portões abertos convidam para o que deveria ser um posto de saúde e acabou abandonado no Jardim Presidente, região norte de Campo Grande. A empresa responsável desistiu da obra, que começou em 2012, durante a gestão de Alcides Bernal.

Entre os esperançosos e aqueles que entendem o prédio como “fantasma” da rua Maria Flauzina, a opinião é compartilhada quando os moradores falam sobre a dificuldade em chegar até a unidade de saúde mais próxima.

A entrada com portas de blindex dá acesso a 23 cômodos espalhados pela construção, que são preenchidos por terra no piso e poucos itens que sobraram da obra. Moradora do bairro há cerca de uma década, Izabel Maria Dias, de 71 anos, conta que sonhava com o posto finalizado, mas que a esperança acabou indo embora.  Acho que já até me acostumei com ele aí, sem ninguém mexer. Eu tenho sinusite e quando ataca preciso ir rápido para o posto mais perto, só que isso demora uma hora andando, vou no do Estrela Dalva. Nesse sol quente fica pior ainda.

Outro ponto comentado pela moradora é o medo durante a noite. Para se proteger, Izabel explica que prefere não passar na frente da obra, “tem gente que fica usando o que não deve ali de noite. Quando preciso sair dou a volta na quadra ou tento ficar em casa mesmo”.

Mãe de três filhos pequenos, Fabiane de Lima Fernandes, de 26 anos, é vizinha da construção há dois anos. Questionada sobre a necessidade do posto mais próximo, ela relembra o último susto com uma das crianças.

Eu estava grávida de 4 meses e meu menino de 2 anos desmaiou, tive que pedir socorro para uma conhecida me levar no outro bairro, no desespero. A gente fica pensando que era para ter um posto bem na frente de casa, mas só acumula entulho.

Ainda esperançosa, Fabiana diz que acha possível a retomada das obras no espaço. De acordo com a moradora, uma equipe da prefeitura foi até o local há pouco tempo para realizar limpeza.

Ela explica que depois da última movimentação a crença na mudança tem sido mais intensa. “Precisa fazer algo com isso, dá agonia olhar todo esse espaço parado. Só para pegar dois ônibus e conseguir chegar no posto dá muito trabalho, ainda mais com criança pequena”.

Questionada sobre como anda o processo da construção, a assessoria da Prefeitura de Campo Grande informou que as ações pararam em 2016, quando o prédio já estava próximo da conclusão. A previsão é de retomada em 2021.

"Atualmente está em processo de reabertura a licitação para a retomada da obra, sendo que esta deverá começar ano que vem".

Motorista, Carlos Roberto, de 49 anos, relata que chegou no bairro quando a obra já estava paralisada.  "Não me preocupo com crime, acho que o pior problema é a falta de um posto no bairro mesmo, todo mundo vê a dificuldade”.

Dentro da área cercada por muros e portões, a presença de alguns tijolos e telhas quebradas fazem a imaginação pensar em como seria a unidade finalizada. "Esperança de ver isso acontecer", como diz Carlos.