Morte de Jorge, que dedicou vida à saúde, é alerta de que covid ainda mata Até esta sexta-feira (2), 1.326 pessoas perderam a vida após contrair a covid-19 em Mato Grosso do Sul - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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sábado, 3 de outubro de 2020

Morte de Jorge, que dedicou vida à saúde, é alerta de que covid ainda mata Até esta sexta-feira (2), 1.326 pessoas perderam a vida após contrair a covid-19 em Mato Grosso do Sul

“A gente tem que trabalhar, arrisca a própria vida e perde quem é da família”. Parceira de vida e profissão do marido, que não sobreviveu devido consequências da covid-19, a técnica de enfermagem Cleodir Lemes Gamarra diz que sofrer com a perda do companheiro é estar indignada com a falta de atenção dada pelas pessoas à gravidade do vírus.


Jorge Gamarra foi diagnosticado com o novo coronavírus em setembro e ficou internado durante 24 dias. No fim da tarde desta sexta-feira (2), familiares e amigos se reuniram no Cemitério Memorial Park para o sepultamento do técnico em enfermagem, que desenvolveu uma infecção pulmonar em decorrência da covid-19 e morreu aos 55 anos.


Emocionada, Cleodir contou que foram 37 anos de casamento. Destes, Jorge trabalhou durante os últimos 21 anos no Hospital Regional de Campo Grande e Cleodir por 12. Na linha de frente, a técnica em enfermagem relata que um dos maiores incômodos que vieram desde que Jorge foi diagnosticado é justamente com o fato de que as pessoas fingem ter esquecido que a doença pode levar à morte. “Eu estou indignada de ver que as pessoas não levam a sério, não colocam em prática nem o isolamento social”.


Completando o pensamento da irmã, Nivaldo Souza, de 51 anos, diz que Jorge “passou a vida inteira cuidando dos outros, mas que acabou morrendo assim”. Filho e policial penal, Erick Lemes Gamarra, de 33 anos, conta que o pai ficou entubado por uma semana, mas aparentava melhorar durante os dias que seguiram. “Semana passada ele foi para enfermaria e depois voltou para o CTI (Centro de Terapia Intensiva), mas sem precisar ser entubado”.


Para Erick, os piores momentos de Jorge foram ao ver companheiros e pacientes não resistindo ao novo coronavírus. O pior dele foi o psicológico, ver as pessoas que estavam por perto ficando mal, colegas dele que morreram com covid. Era o maior medo dele". Sobre a necessidade de estar alerta e se prevenir, o policial penal diz que muitos só conseguem entender o real perigo da pandemia quando passam por situação semelhante. “As pessoas estão achando que pela flexibilização tudo está controlado, mas não está. Infelizmente, enquanto não tivermos uma vacina ou algo mais certo, isso vai continuar acontecendo”.  Cenário Atual - Mato Grosso do Sul registrou 70.828 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, destes, 31.121 são de Campo Grande. As mortes continuam acontecendo e a Capital já registrou 572 vítimas da doença.


Gerente do Cemitério Memorial Park, Thiago Ferreira conta que cinco pessoas chegaram a ser enterradas em apenas um dia, vítimas da covid-19. Na tarde desta sexta-feira, duas foram sepultadas por não resistir aos efeitos do vírus.


Relatórios da Guarda Civil Metropolitana ilustram o incômodo dos familiares de Jorge. Apenas durante o último fim de semana, 1.154 pessoas foram abordadas pelas ruas de Campo Grande durante o horário do toque de recolher. Apenas durante a madrugada do domingo passado (27), duas festas foram encerradas.