Viver de auxílio emergencial é não saber se dinheiro vem no próximo mês Além da incerteza, famílias tentam se adaptar á renda cortada pela metade após ajustes do programa - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Viver de auxílio emergencial é não saber se dinheiro vem no próximo mês Além da incerteza, famílias tentam se adaptar á renda cortada pela metade após ajustes do programa

 Sétima parcela do auxílio emergencial começou a ser paga nesta semana e, com isso, beneficiários relatam que continuam tendo surpresas na hora de conferir o valor atualizado. Para quem sobrevive do programa, pensar em futuro é nunca saber o que irá acontecer no próximo mês.


Apenas em Campo Grande, 193.563 pessoas estão recebendo o auxílio, que não está certo para 2021. Nas ruas, esses números são vistos como registro sem garantia de continuidade. Morador de invasão no Residencial Ramez Tebet, Luiz Roman Pereira, de 45 anos, conta que o coração fica na mão até a hora de ver o valor depositado na conta.


Autônomo, ele mora com a esposa Rosenei Machado, de 47 anos, no barraco levantado durante os últimos seis meses. Foram os cinco primeiros pagamentos que conseguiram ajudar na hora de sair da casa feita de lona e levantar paredes com tapumes.  Ela tinha o valor do Bolsa Família que aumentou e eu recebia do auxílio mesmo, então a gente não passava necessidade. A gente achava que ia continuar com R$ 1.200, mas no mês passado chegou só R$ 300.


Sem entender o que tinha acontecido, Luiz relata que o jeito foi esquecer as possibilidades e tentar se virar para garantir comida no armário. “Desde que a pandemia começou ninguém quer contratar. Eu fui conseguir diária de ajudante de pedreiro nesse mês porque as coisas estão começando a voltar, mas ainda não tá normal”.


Esperando o pagamento da sétima parcela, o morador da invasão diz que dá até frio na barriga de conferir e não ter mais nada na conta. “A gente não sabe se vai continuar recebendo e pior ainda ano que vem. O jeito é torcer para a pandemia acabar porque é a única coisa que conseguimos pensar. Se não acabar, aí é só segurando na mão de Deus”  Em outro ponto da cidade, Adriana Machado, de 29 anos, mora no Aero Rancho com o marido e quatro filhos. Desempregada e recebendo R$ 600, ela diz que o início da pandemia trouxe até alguns pontos positivos.


Nos primeiros meses a situação melhorou muito porque antes eu recebia o Bolsa Família que era um valor menor. Com mais dinheiro, deu para trocar até um armário quebrado que eu tinha. No último mês diminuiu pela metade, mas com o que recebo agora ainda dá para comprar sacolão e alguma carne.


Com as quatro crianças em casa, que têm de 6 até 11 anos, a maior preocupação é a comida do próximo mês. “O dinheiro rende mais quando elas vão para escola porque lá tem merenda, em casa é muito gasto. Se eu continuar recebendo dá para manter, mas ano que vem quando acabar o auxílio precisa ter a merenda”. Mãe solteira, Yasmim Diniz, de 24 anos, conta que ela e a mãe recebiam o auxílio, mas depois dos últimos ajustes só sobrou o dela.


“Só quero que a pandemia acabe. O programa tem ajudado a colocar comida dentro de casa. Se continuar com coronavírus e sem auxílio, o medo é não ter dinheiro para comprar leite, arroz e feijão”.


Antes mesmo do ano virar, Itamar Antônio Deiroz diz que o pesadelo dos depoimentos acima já são sua realidade. Ele recebeu as cinco primeiras parcelas, mas desde o mês passado não tem o dinheiro caindo na conta.


Sem conseguir trabalho fixo, ele relata que conseguia lidar com a falta de emprego, mas desde que perdeu o benefício a incerteza do próximo dia virou rotina, “consigo R$ 250 em um mês com bico de eleição, depois que acabar eu já não sei de mais nada”.