Com um cromossomo a mais, Miguel e Helena carregam nomes mais escolhidos de 2020 Só este ano, os cartórios de Campo Grande registraram 228 vezes o nome Miguel e 178 Helenas - CANAL MS

LEIA TAMBÉM

Campo Grande (MS),

Post Top Ad

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Com um cromossomo a mais, Miguel e Helena carregam nomes mais escolhidos de 2020 Só este ano, os cartórios de Campo Grande registraram 228 vezes o nome Miguel e 178 Helenas

 Com um cromossomo a mais de amor, Helena chegou no dia 14 de junho de 2020, Miguel 20 de junho, para completar as famílias de Simone e Karina. As mães das fofuras que estampam esta reportagem não sabiam, mas escolheram dar aos filhos os nomes mais registrados neste ano na Capital.


O Miguel, filho da professora Karina Foizer é um entre 228 registrados em 2020. A Helena, filha da farmacêutica Simone Malheiros Ricas é uma das 178 que dividem o mesmo nome. Os bebês, hoje com seis meses, têm histórias diferentes, mas se cruzam na genética: os dois nasceram com síndrome de Down.  Primeira filha, a gestação de Helena foi mais do que esperada e antes mesmo da confirmação, Simone já sabia que viria um bebê. "Eu havia parado o anticoncepcional fazia seis meses. Dois meses antes de engravidar, sonhei com uma voz me falando que em outubro eu estaria grávida", lembra a farmacêutica de 34 anos.


O nome veio também como um sopro ao ouvido. "Eu nunca tinha parado pra pensar neste nome na minha vida, assim que fiquei sabendo da gravidez, o nome surgiu e eu comecei a chamá-la de Helena antes mesmo de saber o sexo", recorda.  Sem saber que estaria no topo da escolha regional, a mãe acredita que o número de Helenas nascidas está ligado ao significado do nome. "Acho que por ser um nome forte, de impacto muito grande e um significado bonito como 'luz ou iluminada'. Talvez seja por isso", acredita a mãe.  Foi no dia seguinte ao nascimento que as características de Helena chamaram atenção da pediatra. "Ela falou que tinha observado algumas características e colheu o cariótipo", explica a mãe sobre o exame feito para confirmar a síndrome de Down.


A cada dia ficava mais evidente aos pais que a menininha tinha a síndrome. "O olhinho amendoado, a prega palmar única, a orelha de implantação baixa. A gente já sabia que ela tinha, quando saiu o resultado do exame foi indiferente", conta Simone.  Claro que a notícia afetou a família num primeiro momento, por ser algo que ninguém estava esperando. A gestação havia corrido muito bem, sem nenhuma intercorrência ou indício que apontasse a síndrome em exames. "Na verdade, na hora a gente tem um baque, mas depois, sinceramente, até esquecemos a síndrome. Éramos nós dois, pais de primeira viagem com um bebê", recorda a mãe sobre os primeiros meses. "A gente não ficou mal, foi assim, parece clichê, mas começamos a nos sentir privilegiados. Parece que fomos escolhidos", completa a mãe.


A rotina de terapias é puxada, mas junto dos acompanhamentos, a criação de Helena é, segundo a família, a mais natural possível. "Tudo o que está ao nosso alcance, para o desenvolvimento dela, estamos fazendo como qualquer outro bebê", ressalta.


O dia a dia de Helena acabou sendo narrado no Instagram, em uma conta criada pela mãe para compartilhar tratamentos, atividades, exames e terapias. Nas fotos, dá pra ver que seja nas terapias ou nas brincadeiras em casa, Helena é só sorriso. "Ela ama passear, neste momento tive que descer aqui na garagem porque ela queria sair. É muito sorridente, gosta muito de música", conta a mãe enquanto cantarola Mundo Bita.


Para ela, o significado do nome tem tudo a ver com a filha. "É perfeito, porque a gente enxerga ela como luz que ilumina a nossa vida".


Miguel é apenas seis dias mais velho que Helena e veio como uma grande surpresa para a mãe. Aos 41 anos e mãe de um adolescente de 18, Karina estava para colocar diu quando começou a sentir os primeiros enjoos. Ela ainda achou que fosse virose até que fez os exames que confirmaram a gravidez que já estava na nona semana.  "Foi uma surpresa, um susto que mudou todo o rumo da minha vida", comenta. Ser mãe novamente, depois de tanto tempo, trouxe um pouco de desespero. "O pai do Miguel não tinha filhos, e era o sonho da vida dele", narra.  Desde o início, a mãe já sentiu que era menino e aos três meses, confirmou o sexo do bebê em um exame de sangue. Sem fazer chá revelação, só contou para os amigos mais próximos e familiares.


O nome quem escolheu foi o pai, que se chama Rafael, e queria um nome de anjo. "Então decidimos por Miguel", diz. Eles nem chegaram a pesquisar o nome, que é "similar a Deus" e também não se deram conta de que poderia ser o nome mais escolhido do ano.


A descoberta da síndrome de Down veio no parto. Nascido com 36 semanas, Miguel corria o risco de ficar uma incubadora ou ter algum problema respiratório, o que não aconteceu. "O pediatra que acompanhou disse que ele tinha nascido ótimo, que não precisaria de incubadora, mas que suspeitava pelas características físicas da síndrome", recorda.


O exame confirmou e o resultado, em um primeiro momento, não foi fácil. "Não vou mentir, fiquei umas duas semanas presa a coisas ruins, as dificuldades de cuidar de uma criança com particularidades. Eu sempre trabelho muito, sem horário pra entrar nem sair, e me deparei com um ser que dependia de mim para as terapias. Foi muita coisa na cabeça", expressa.  Hoje, aos seis meses, a mãe já vive outra realidade e sentimentos vendo tudo se ajeitar. "O Miguel é uma benção, é união. Tenho me comunicado com pessoas da minha família e da do meu marido que eu não via nem falava há muitos anos. O Miguel é apaixonante, sou suspeita pra falar, mas ele é pura luz", define a mãe.


Realmente, olhando para os lados, a mãe diz que tem ouvido muito bebê se chamando Miguel, mas a correria que o pequeno trouxe para a sua vida não lhe permitiu ter tempo para pensar nisso. "Ele não para. Já está quase engatinhando, ainda não tem nenhuma perda motora por conta da síndrome, está quase se sentando sozinho, sem apoio e vai no colo de todo mundo", comemora.