De MS, acusado de traficar armas é procurado no RJ com recompensa de R$ 1 mil Claudinei Lichewiski responde a processo na Justiça do RJ, acusado de integrar quadrilha que abastecia facções criminosas - CANAL MS

LEIA TAMBÉM

Campo Grande (MS),

Post Top Ad

sábado, 19 de dezembro de 2020

De MS, acusado de traficar armas é procurado no RJ com recompensa de R$ 1 mil Claudinei Lichewiski responde a processo na Justiça do RJ, acusado de integrar quadrilha que abastecia facções criminosas

 Nascido em Rio Brilhante e com última residência conhecida em Nova Alvorada do Sul, o eletricista Claudinei Lichewiski de Aguiar, 43 anos, figura como procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, com recompensa de R$ 1 mil para quem denunciar seu paradeiro. No sistema da polícia de Mato Grosso do Sul, no entanto, não consta qualquer pendência judicial. O nome do sul-mato-grossense consta no site do Programa Procurados, organização que trabalha em parceria com Disque-Denúncia e a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. No sistema, são divulgados os nomes de foragidos de processos com origem no estado fluminense. Pela Justiça do RJ, ele é considerado foragido, pelo menos, desde agosto de 2019. 

Pela denúncia, a quadrilha teria agido entre 2017 e dezembro de 2018. O armamento era comprado e transportado a partir do Paraguai, passando por Mato Grosso do Sul e oeste do Paraná para revenda a outras organizações criminosas com atuação no Rio de Janeiro.



No dia 3 de dezembro de 2018, o braço logístico da quadrilha em MS chegou a ser alvo de operação. Consta que 4 irmãos de família residente em Bandeirantes, a 70 km de Campo Grande, usavam oficina no município para preparar os carros usados no transporte das armas e munições.


A denúncia contra os 14 integrantes da quadrilha foi formalizada no dia 19 de dezembro de 2018. Em relação a Lichewiski, a investigação apontou participação na logística.


“Ele e outros 9 denunciados se substituíram ao longo do período, 2017 e 2018, no desempenho das funções de transporte dos carregamentos de material bélico dissimulados, ocultos, na lataria de carros de passeio entre os Estados de MS e PR, região de fronteira, e o RJ. Também cabia a eles arranjar carros a serem usados no transporte das munições e armas ilegais e prepará-los com compartimentos ocultos usados para esconder a carga bélica ilegal”. O processo contra Lichewiski foi desmembrado em 27 de agosto de 2019, pois o réu era considerado foragido, ao não se apresentar nas audiências. Segundo informações do TJ-RJ, a ação secundária não foi localizada, possivelmente, por tramitar em segredo de Justiça.


Flagrante – Antes da denúncia formalizada no fim do ano de 2018, Lichewiski já estava sob investigação desde janeiro daquele ano, em Itatiaia (RJ), suspeito de integrar esquema de comércio ilegal de armas e munições.


O caso contra ele começou a tomar forma no dia 13 de janeiro, quando foi preso em flagrante por porte e posse ilegal de arma. A Polícia Civil do RJ recebeu denúncia anônima de que havia homem em atitude suspeita em um veículo, na região de divisa entre os estados de SP e RJ.


Na denúncia aceita pela Vara de Itatiaia no dia 28 de fevereiro de 2018, consta que o carro descrito na denúncia foi localizado na divisa com o estado de SP e os policiais fizeram revista, encontrando camuflados 10 mil munições dos calibres 9 mm e .40, 3 pistolas Glock (modelo 17). O condutor era Claudinei Lichewiski, que alegou desconhecer que transportava o armamento.

À época, a defesa questionou a ação da Polícia do Rio de Janeiro, alegando que o carro estava estacionado em posto de combustíveis em São Paulo, na altura de Guaratinguetá. Depois de vários pedidos de liberdade, o habeas-corpus foi deferido no dia 31 de outubro daquele ano, em decorrência do “evidente excesso de prazo no encarceramento”, ou seja, prisão em flagrante extrapolou os limites judiciais.


A partir dessa investigação de Itatiaia, Lichewiski foi denunciado por integrar a quadrilha especializada no comércio ilegal de armas com conexões em Itaguaí. Na investigação do Gaeco, que tramita na Vara Criminal de Itaguaí, consta a informação do flagrante ocorrido no outro município.


Depois de ser liberado no dia 31 de outubro, foi denunciado na outra ação.


A reportagem entrou em contato com os telefones que aparecem nos processos ligados a Lichewiski em Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Apenas dois ainda estão atualizados, sendo de irmãos do foragido.


Um deles, que pediu para não ser identificado, disse que o irmão foi contratado em MS para transportar o carro para o RJ. Como Claudinei Lichewiski trabalhava naquele estado, aproveitou a oportunidade para fazer a viagem e ganhar algum dinheiro. O homem diz que o irmão é homem simples, semi-anfalfabeto e não desconfiou de qualquer irregularidade.


O irmão do foragido reafirmou a tese de defesa, dizendo que Lichewiski foi preso pela polícia fluminense em território paulista, o que configuraria prisão ilegal. Alega também que ele estava dormindo dentro do carro, mais um indício da inocência dele. “Se ele soubesse o que levava, ia dormir dentro do carro?”, questionou.


Diz também que não tem contato com o irmão há algum tempo e que a última vez que teve notícia, soube que estava no Rio de Janeiro.


Limbo – No sistema da Polícia Civil de MS, não consta qualquer pendência contra Claudinei Lichewiski Aguiar. A informação da assessoria é que não há integração no banco de dados das polícias civis e, por isso, é possível que haja mandado de prisão em aberto contra ele em outro Estado.


No TJ-MS, constava carta precatória contra Lichewiski, ou seja, instrumento jurídico que o réu de processo de outra comarca pode comparecer em juízo na cidade onde mora.


O último andamento desta carta precatória indica que havia audiência em Itatiaia, marcada para dia 14 de novembro de 2018. Lichewiski foi até o Fórum de Nova Alvorada no dia 12 daquele mês, se apresentou e disse que não teria tempo hábil para comparecer e, por isso, pediu adiamento. Até aquele momento, a informação é que morava no assentamento Lagoa Azul. Depois disso, não há informação sobre o paradeiro dele.


No sistema do TJ-MS também consta ação de 2012, quando ele morava em Nova Andradina, a 300 km de Campo Grande. À época, a defesa questionou a ação da Polícia do Rio de Janeiro, alegando que o carro estava estacionado em posto de combustíveis em São Paulo, na altura de Guaratinguetá. Depois de vários pedidos de liberdade, o habeas-corpus foi deferido no dia 31 de outubro daquele ano, em decorrência do “evidente excesso de prazo no encarceramento”, ou seja, prisão em flagrante extrapolou os limites judiciais.


A partir dessa investigação de Itatiaia, Lichewiski foi denunciado por integrar a quadrilha especializada no comércio ilegal de armas com conexões em Itaguaí. Na investigação do Gaeco, que tramita na Vara Criminal de Itaguaí, consta a informação do flagrante ocorrido no outro município.


Depois de ser liberado no dia 31 de outubro, foi denunciado na outra ação.


A reportagem entrou em contato com os telefones que aparecem nos processos ligados a Lichewiski em Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Apenas dois ainda estão atualizados, sendo de irmãos do foragido.


Um deles, que pediu para não ser identificado, disse que o irmão foi contratado em MS para transportar o carro para o RJ. Como Claudinei Lichewiski trabalhava naquele estado, aproveitou a oportunidade para fazer a viagem e ganhar algum dinheiro. O homem diz que o irmão é homem simples, semi-anfalfabeto e não desconfiou de qualquer irregularidade.


O irmão do foragido reafirmou a tese de defesa, dizendo que Lichewiski foi preso pela polícia fluminense em território paulista, o que configuraria prisão ilegal. Alega também que ele estava dormindo dentro do carro, mais um indício da inocência dele. “Se ele soubesse o que levava, ia dormir dentro do carro?”, questionou.


Diz também que não tem contato com o irmão há algum tempo e que a última vez que teve notícia, soube que estava no Rio de Janeiro.


Limbo – No sistema da Polícia Civil de MS, não consta qualquer pendência contra Claudinei Lichewiski Aguiar. A informação da assessoria é que não há integração no banco de dados das polícias civis e, por isso, é possível que haja mandado de prisão em aberto contra ele em outro Estado.


No TJ-MS, constava carta precatória contra Lichewiski, ou seja, instrumento jurídico que o réu de processo de outra comarca pode comparecer em juízo na cidade onde mora.


O último andamento desta carta precatória indica que havia audiência em Itatiaia, marcada para dia 14 de novembro de 2018. Lichewiski foi até o Fórum de Nova Alvorada no dia 12 daquele mês, se apresentou e disse que não teria tempo hábil para comparecer e, por isso, pediu adiamento. Até aquele momento, a informação é que morava no assentamento Lagoa Azul. Depois disso, não há informação sobre o paradeiro dele.


No sistema do TJ-MS também consta ação de 2012, quando ele morava em Nova Andradina, a 300 km de Campo Grande.