Mega-assalto em Criciúma: um detalhe que não pode passar despercebido Cenas parecem ficção, mas há um fato real que não envolve apenas os criminosos, tem a ver comigo e com você. Entenda - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Mega-assalto em Criciúma: um detalhe que não pode passar despercebido Cenas parecem ficção, mas há um fato real que não envolve apenas os criminosos, tem a ver comigo e com você. Entenda

 O assalto a uma agência do Banco do Brasil de Criciúma, em Santa Catarina, na madrugada desta terça-feira está dando o que falar. O crime entrou, inclusive, nos Trending Topics do Twitter hoje. Os internautas compararam as cenas gravadas com produções cinematográficas.

E não é à toa. Foi o maior roubo do estado, segundo a Polícia Civil, protagonizado por mais de 30 homens fortemente armados e encapuzados que invadiram a cidade exclusivamente para cometer o crime, equipados com, pelo menos, 10 carros.

Os criminosos chegaram a atear fogo em um veículo que estava próximo a um quartel da Polícia Militar, com o intuito de dificultar a visão e a saída dos policiais. Houve troca de tiros e um soldado se feriu. Além disso, os assaltantes fizeram reféns. Ainda durante a madrugada, o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, divulgou um vídeo dizendo que a ação criminosa estava sendo realizada por "bandidos muito bem preparados" e pediu à população para que não saísse de casa.


Para completar o clima de ficção, na fuga, os criminosos deixaram para trás cerca de 200 quilos de materiais explosivos que, nesta manhã, foram detonados pelo Esquadrão Antibombas.

Até agora não se sabe ao certo o volume roubado na mega-operação e, até o momento, nenhum bandido foi localizado. O delegado Anselmo Cruz, do Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais) afirmou saber da existência de um núcleo que age e organiza “ações cinematográficas” e que, para contê-los, será preciso promover um trabalho meticuloso de investigação. “Não se pode querer que se tenha uma resposta de horas e dias para um roubo envolvendo 30 assaltantes que se planejaram durante meses”, disse em coletiva.

Criminalidade cultural

Em meio a isso tudo, qual é o detalhe que tem a ver comigo e com você, ou seja, pessoas comuns que nem estavam lá? Ocorre que, quando os criminosos fugiram, deixaram para trás parte do dinheiro roubado espalhado pelas ruas. Diante da "oportunidade", quatro moradores se acharam no direito de se apropriar do produto do roubo. Será que o ditado “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão” é válido? Para esses quatro moradores não, afinal, todos acabaram presos por terem pegado R$ 810 mil em notas que, segundo alguns reféns, foram espalhadas pela rua de propósito. Além disso, o comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Criciúma, tenente-coronel Christian Dimitri, recebeu denúncias de que outras pessoas da comunidade teriam "aproveitado da situação para saquear notas de dinheiro da agência". Nas redes sociais, vídeos mostram pessoas recolhendo o dinheiro nas ruas da cidade.

É claro que o foco dessa notícia são os bandidos que invadiram o banco, mas não há como deixar a questão dos moradores passar despercebida. A atitude de recolherem o dinheiro revela um problema latente na nossa sociedade: o “jeitinho brasileiro”, que faz vista grossa para o que se considera “um pequeno delito” praticado por “pessoas de bem”.

A meu ver, essas pessoas são tão criminosas quanto as que roubaram a agência. A única diferença é que enquanto uns planejaram o roubo, outros praticaram movidos pela oportunidade.

Por que “pequenos crimes” como esse são aceitos se, no fim das contas, são igualmente roubos? Quantas pessoas devem estar comentando o quão absurdo foi esse mega-assalto, mas, em seu dia a dia, também são capazes de cometer delitos que consideram menores, se é que podemos dizer assim?  De acordo com um estudo divulgado pelo instituto Data Popular, sete em cada dez brasileiros admitiram já ter cometido atitudes corruptas em situações cotidianas, como comprar produtos pirata, pagar meia-entrada com documento falso ou de outra pessoa, não devolver a diferença ao receber troco a mais, fazer instalações irregulares de TV por assinatura, água ou luz – os populares "gatos” – entre outras. O instituto ouviu 3.500 pessoas em 146 cidades de todo o país.

Baseando-nos nesses fatos, o que eu e você precisamos fazer é uma autorreflexão sem esquecermos de que a ética começa nas atitudes individuais. Nós, brasileiros, reclamamos da corrupção, da criminalidade e do fato de sermos passados para trás em diversas ocasiões, mas de que adianta se, de uma forma ou de outra, acabamos fazendo o mesmo? Além de cobrar o governo e uma maior efetividade da polícia, cada um de nós deve fazer a sua parte, primeiramente não cometendo ações ilegais e, depois, não aceitando comportamentos ilegais por parte de terceiros. 


É hora de implementar uma contracultura

Mais do que esperar pela justiça – o que não é suficiente para minar os problemas do Brasil – é preciso que haja uma mudança individual. Quem mente para o cônjuge ou para os pais, engana um cliente, adultera valores em notas fiscais, sonega imposto ou “pega” dinheiro do chão não tem moral para sair às ruas exigindo um Brasil sem corrupção.

Quem quer viver em um local onde haja respeito aos direitos, tem de saber que é necessário, antes de mais nada, cumprir com os deveres e passar a respeitar o que cabe a si como cidadão.

Para se combater as mazelas tão latentes neste país é preciso ir além de apenas cassar políticos corruptos e prender megabandidos como os que agiram em Criciúma. É necessário que haja uma transformação cultural, ou a implementação de uma contracultura onde atitudes como as citadas aqui não sejam vistas como um delito menor e, portanto, menos imputável. E isso só vai acontecer quando cada um mudar a relação que tem com a verdade e com a honestidade, em todas as áreas da vida, inclusive com o que é público.

Lembre-se: quem aceita a corrupção e a criminalidade como cultura não tem direito de exigir um lugar mais justo para viver. veja o video para entender melhor 


 creditos: nao adivinho