Um mês depois, morte de garoto achado em freezer ainda é mistério Hoje completa um mês da morte do adolescente José Eduardo de 15 anos, encontrado morto na casa da avó na Vila Adelina - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Um mês depois, morte de garoto achado em freezer ainda é mistério Hoje completa um mês da morte do adolescente José Eduardo de 15 anos, encontrado morto na casa da avó na Vila Adelina

 poderia começar esse texto com um lide clássico. A primeira parte de uma notícia, quase sempre, deve entregar ao leitor seis respostas básicas: o que, quem, quando, onde, como e por quê. O problema é que hoje, 11 de fevereiro, quando completa um mês da descoberta da morte do adolescente José Eduardo Alves Gonçalves Rosa, de 15 anos, nem a família tem a solução para o mistério.

Não houve alternativa a não ser abrir a matéria com o chamado "nariz-de-cera", outro jargão jornalístico que significa, conforme o Manual de Redação da Folha de S. Paulo, "parágrafo introdutório que retarda a entrada no assunto específico do texto".

A família de José Eduardo segue sem notícias sobre o que de fato aconteceu, como e porque o menino foi encontrado morto dentro de um freezer no quintal da casa da avó materna em Campo Grande.

Agonia é a palavra usada pelo irmão da vítima, por ironia do destino, técnico em refrigeração, para definir o que os parentes estão vivendo. “Um mês já e nada. A gente liga, pergunta, mas a resposta é sempre a mesma, que não podem passar informação para não atrapalhar as investigações”, explica Leonardo Alves, de 26 anos.

Para a reportagem, a resposta também não é diferente. A chance de a família ter alguma pista é resultado o laudo necroscópico. “Única informação que tenho é que o laudo deve sair até o dia 20. Pedi pra minha irmã acompanhar. Saber a causa da morte já é alguma coisa”, conta o irmão. Dias após a morte, a mãe de José chegou a afirmar que acreditava que o filho havia sido assassinado, isso porque segundo a advogada da família duas facas foram encontradas no local. “As facas não são de uso eventual”, destacou Marcelle Perez Lopes, contratada para representar a família.

José Eduardo estava sendo procurado pela família desde início da manhã daquela segunda-feira, dia 11, quando faltou ao compromisso com o irmão, com quem trabalhava, fazendo bicos. O corpo do menino foi encontrado pelo primo Carlos Magno Gonçalves Rodrigues, 20 anos, horas depois. “Achei estranho, senti falta dele desde cedo, liguei para todo mundo e ninguém sabia”, contou o rapaz na data do ocorrido.

Carlos chamou várias vezes pelo primo e sem resposta, resolveu pular o muro. No quintal, encontrou o freezer desligado e, em um buraco, escorria filete de sangue. “Já estava cheiro ruim, aí abri o freezer e me deparei com ele lá, só de cueca, sentado”, contou.

Os últimos passos da vítima foram junto do irmão mais velho e o primo, Rafael Henrique Alves Machado, de 31 anos, que mora em Dourados. Os três dormiram na casa da avó de sexta para sábado, 9 de fevereiro.

Quando amanheceu, os três foram para a casa do irmão. Já no domingo de manhã, José Eduardo e o primo que veio do interior deixaram o local. A princípio, os dois iriam para a casa da irmã da vítima, mas acabaram voltando para a casa da avó, que viajava, no fim de semana, ao lado dos pais do menino.

Rafael foi embora, retornando para a cidade onde mora, segundo a advogada. É este momento que câmera de segurança instalada em residência próxima a casa da avó do adolescente registrou o familiar deixando a casa. O primo afirma que estava com o adolescente até a hora de ir embora.

Desde então, investigações da Polícia Civil têm por objetivo descobrir o que aconteceu após o primo deixar o local.