“Eu estou presa e ele está livre”, diz mulher após 5 denúncias contra namorado A vitima foi espancada no dia 21 de março e não consegue voltar para casa por medo de morrer - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quarta-feira, 31 de março de 2021

“Eu estou presa e ele está livre”, diz mulher após 5 denúncias contra namorado A vitima foi espancada no dia 21 de março e não consegue voltar para casa por medo de morrer

 A sensação é de impotência, segundo a mulher de 39 anos, espancada pelo ex-companheiro, pedreiro de 29 anos, no ultimo dia 21 de março e há nove dias  não pode voltar para casa no Jardim Noroeste.  Ela já registrou cinco boletins de ocorrência e conseguiu uma medida protetiva, mas está vivendo na casa de conhecidos por medo de voltar e acabar morta. “Eles me falam para ligar quando eu ver ele, mas se eu ver ele acha que vou ter tempo de ligar?”, disse a mulher com os olhos marejados. Um misto de sensação de impotência e medo fizeram com que ela contasse a história na tentativa de uma solução. ela contou que conheceu o ex-companheiro em maio de 2020, e por pelo menos seis meses o relacionamento foi tranquilo. “Eu estava desempregada e no seguro desemprego, então ele era uma pessoa muito tranquila e amorosa. Mas quando acabou o benefício e eu precisei voltar a trabalhar ele se transformou”, contou.


No relato, emocionado, ela detalhou que as agressões verbais começaram mais ou menos em dezembro do ano passado. “Ciumento e possessivo”, como a ela o descreve, o homem passou a vasculhar o celular dela e insinuar que quando a vítima, que trabalhava como cuidadora de idosos, saia para trabalhar o estava traindo.


“Ele brigava muito, xingava, mas não me agredia. Ele se controlava bem até então. Mas há mais ou menos um mês eu cansei dessa relação. Ele ficou muito possessivo e controlador. Eu  estava tentando tirar ele da minha casa, só que ele não queria sair”, explicou a mulher.


Porém no último dia 21, quando a agressão aconteceu, ela contou que estavam na casa de um casal de amigos, no Jardim Noroeste mesmo. O rapaz chegou a mencionar que beberia uma latinha de cerveja e ela pediu que não, por saber que aquilo poderia desencadear em um comportamento agressivo “Eu pedi para ele não beber e então ele foi em casa, que fica perto dali, buscar um casaco. Mas quando voltou começou a mexer no meu celular. Quando o marido da minha amiga foi dormir ele se transformou. Ali ele já jogou meu celular no chão dizendo que eu estava traindo ele e partiu pra cima de mim. ”, detalhou a vítima.


O rapaz só saiu dali quando a dona da casa onde estavam ameaçou chamar a polícia. No dia seguinte porém, ele acabou voltando para a residência onde morava com a vítima e danificou móveis e eletrodomésticos, além do portão e da cerca elétrica da casa. Por isso a mulher acabou saindo de casa em busca de ajuda.


“Eu fui na delegacia, uma aluna da polícia me ouviu, levou o papel para a delegada e me trouxe para assinar. Eu já fiz cinco boletins de ocorrência. Dei endereço, telefone e ninguém prende ele. Agora eu que estou aqui presa e ele está livre, fazendo e acontecendo. Eu preciso recuperar minha vida”, afirmou a mulher que já está no quarto esconderijo desde que saiu de casa.


Enquanto conversava com a reportagem, os cinco boletins de ocorrência e a medida protetiva não saíram a mão da mulher que teme, não só por sua vida, mas também pela vida de quem está próximo.


“Ele está ameaçando conhecidos, vizinhos, meu filho. Ele foi na casa de uma colega minha e mostrou a arma para ela. Todo dia ele vai na minha casa. Ele invade e quebra alguma coisa, depois ameaça a vizinha e vai embora. Eu preciso de ajuda, porque não tenho mais para onde ir”, completa a mulher.  A mulher chegou a passar o último fim de semana na casa de acolhimento da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) enquanto aguardava receber uma medida protetiva da justiça. Informação confirmada nesta manhã na delegacia.


Mas, segundo a delegada plantonista Jennifer Estevan, quando sai a medida protetiva a orientação é que a vítima seja acompanhada, até a residência, por um oficial de Justiça e uma equipe da Guarda Municipal. Porém, no caso da mulher não sabia se o procedimento tinha sido feito, porque não havia nada anexado ao processo.