"O PCC anda atrás de mim em Ponta Porã", diz Fahd em audiência Alvo da Operação Omertá, ele se apresentou na segunda-feira e está no Garras, depois de 10 meses como fugitivo - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quinta-feira, 22 de abril de 2021

"O PCC anda atrás de mim em Ponta Porã", diz Fahd em audiência Alvo da Operação Omertá, ele se apresentou na segunda-feira e está no Garras, depois de 10 meses como fugitivo

 “O PCC anda atrás de mim em Ponta Porã”, afirmou Fahd Jamil Georges, de 79 anos, durante audiência de custódia nesta terça-feira (20), quando a prisão preventiva dele foi mantida pelo juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande. “Fuad”, como é popularmente conhecido, estava foragido havia 10 meses, apresentou-se à Polícia Civil na segunda-feira (19) e, segundo sua defesa, o fato de estar sob ameaça da facção criminosa foi um dos motivos para isso.


Ao ser indagado pelo magistrado sobre o risco que correria no sistema prisional, o preso citou as ameaças do PCC. O juiz, então, perguntou se sentiria seguro na cidade onde sempre viveu e mantém negócios, Ponta Porãm fronteiriça ao Paraguai.


Depois de afirmar que gostaria de ficar “em casa”, e não preso, Fahd declarou que há sim risco grande na cidade . Eu não posso andar muito na cidade, por causa do PCC, porque eles são alojados no Paraguai”, disse.


As ameaças, segundo afirmou, foram textuais, recebidas há cerca de 45 dias. Os advogados dele dizem já ter comunicado a delegacia local sobre isso.


Como é rotineiro nas audiências desse tipo, o juiz também perguntou a Fahd Jamil sobre o momento da prisão em si, se houve algum tipo de ilegalidade, violência.


O senhor do outro lado do vídeo, na sala do Garras destinada à videoconferência, destacou não ter sido preso. “Eu me apresentei, eu não fui preso”.


Afirmou não ter sido maltratado pelos policiais e estar “bem seguro” na unidade de elite da Polícia Civil. Mas pontuou. “Eu queria não estar preso”. "Pulmão está grave" - Com a voz firme, ao ser indagado sobre as condições de saúde, comentou ter  problemas pulmonares já faz 15 anos. Informou tratar-se em São Paulo, onde fez tratamento de câncer.


Os advogados dizem que ele tem um dos pulmões apenas e o outro com capacidade de 30%.  O preso relatou precisar de dois aparelhos,  um para inalação durante o dia e outro para conseguir respirar a noite que é, segundo ele, “colocado no nariz”.


Comentou, ainda, que o pulmão está “grave”.


“Não que eu saiba”, respondeu sobre outros problemas de saúde A defesa, alega saúde debilitada como motivo para o cliente não ficar na cadeia.


Diabetes e hipertensão são outras enfermidades citadas. Depois das perguntas de Roberto Ferrreira Filho, o advogado Gustavo Badoró fez perguntas e aí, provocado por ele, Fahd afirmou ter dores na coluna e hipertensão, além de sentir falta de ar para tomar banho sozinho.


Ficou decidido durante a audiência a realização de perícia médica para embasar nova avaliação do magistrado.  Por enquanto, Fahd Jamil vai ficar preso em cela do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), dormindo em colchão no chão.


Na audiência de custódia, foi dado prazo até esta quinta-feira (22) para defesa e acusação apresentarem os quesitos ao período sobre a saúde do réu. Depois, o resultado deve ser entregue em 5 dias ao juízo.


Se isso não acontecer, poderá haver decisão sem o laudo pericial.


Foi destacado pelo magistrado o fato de a audiência não tratar das acusações em si, mas sim do momento da priosão e de sua regularidade. Fahd Jamil Georges é acusado de chefiar - junto com o filho Flavio Jamil Georges, 43 anos, que está foragido - organização criminosa dedicada ao tráfico de armas, milícia armada, corrupção de agentes públicos e assassinato.


Responde a três ações criminais derivadas da operação Omertà, que também levou à prisão o compadre dele, Jamil Name, 80 anos, e o filho dele Jamil Name Filho. Ambos estão no presídio federal de segurança máxima de Mossoró (RN) desde outubro de 2019, aguardando julgamento em ações por crimes do mesmo naipe.