Assassino de Carla é condenado a 31 anos e 9 meses pelo feminicídio qualificado - CANAL MS

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sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Assassino de Carla é condenado a 31 anos e 9 meses pelo feminicídio qualificado

Um ano e quatro meses depois da morte de Carla Santana Magalhães, a união no saguão do Tribunal do Júri foi a forma como os familiares da jovem de 25 anos escolheram para lidar com a espera pela decisão dos jurados. Olhos marejados e terço nas mãos da mãe da jovem assassinada, Evanir Santana Magalhães, expressavam a apreensão o que todos sentiam mesmo sem qualquer palavra ser dita. Para a família da vítima, que sofreu 379 dias de angústia –primeiro com o desaparecimento da moça, depois com os requintes trágicos da morte dela– notícia da condenação de Marcos André Vilalba Carvalho, 22 anos, o algoz de Carla, veio através do assistente de acusação, José Belga Trad, antes mesmo da reabertura das portas do plenário. O alívio com a sentença de 31 anos de prisão pôde ser sentido nos abraços entre os familiares, no agradecimento dos pais ao advogado e no olhar da mãe de Carla. A feição dela, que permaneceu tensa durante todo o julgamento, deu lugar a um sorriso tímido: a justiça que esperava foi feita. Evanir ficou muito firme durante todas as 5 horas de júri. Se emocionou em alguns momentos, quando detalhes de como a filha foi torturada e morta era explicitados. O desabe veio quando a sentença de Marcos foi lida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri. A mãe diz que a condenação alivia um pouco sim, mas nada vai mudar. Ela também está condenada: à saudade eterna. “Sinto falta da minha filha todos os dias. Mas, agradeço a Deus, à minha família pelo apoio para seguir em frente e aos advogados, por essa condenação”. A esperança de Evanir é que a punição do assassino confesso seja exemplar, “para que mais nenhuma menina passe pelo sofrimento que a minha filha passou”. O crime - Carla despareceu na noite de 30 de junho do ano passado, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande. A busca terminou em 3 de julho, num cenário trágico: o cadáver da jovem apareceu nu, na calçada de um bar, na mesma rua onde ela sumiu. No dia 19 de julho, Marcos foi abordado por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que encontraram vestígios de sangue dentro da quitinete onde ele morava, ao lado da casa da vítima. Responsável pela investigação, a equipe da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) foi ao local e o prendeu. Em todo o tempo que foi ouvido, o assassino deu apenas uma suposta motivação: o fato de Carla não tê-lo cumprimentado durante encontro na rua de casa. Interrogado na delegacia e em juízo, Marcos afirmou que, depois de beber e usar drogas, encontrou Carla em frente de casa. Usou um golpe mata-leão para imobilizá-la e arrastá-la para dentro da própria casa. Estuprou e matou a vizinha por medo de ser denunciado. Ao juiz, afirmou que usou uma faca para matá-la, mas não sabe dizer quantos golpes deu, ou onde os deu. Não soube dizer os motivos que o levaram até aquele momento, mas ainda assim, enrolou o corpo em cobertas e o escondeu em baixo da cama. Conviveu com a vítima morta por três dias, depois a carregou até o bar a poucos metros da casa e o deixou ali. Apesar das evidências no corpo de que Carla havia sofrido violência sexual, para o delegado Carlos Delano, titular da DEH e responsável pela investigação, Marcos negou que tivesse estuprado a vizinha. Em juízo, porém, admitiu que violentou a moça, antes e depois da morte. Condenação – Marcos foi considerado culpado pelos jurados e teve a pena calculada pelo juiz em 31 anos e 9 meses de prisão pelo homicídio, estupro e ocultação de cadáver, além de 1 ano e 9 meses de detenção (diferente de prisão) por vilipêndio de cadáver.