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terça-feira, 26 de outubro de 2021

“Fronteira de sangue” teve 17 pessoas executadas em apenas 30 dias

Pelo menos 17 pessoas foram executadas nos últimos 30 dias apenas na linha internacional formada por Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Os números são informais e fazem parte de levantamento com base em reportagens sobre as execuções publicadas de 25 de setembro de 2021 até ontem (25).Estatística oficial só existe no lado brasileiro, onde foram registradas 3 das 17 execuções desse mês sangrento. As outras 14 foram do lado paraguaio da fronteira. Desde a semana passada, a reportagem tenta, sem sucesso, conseguir o balanço oficial da Polícia Nacional. Nem mesmo jornalistas paraguaios conseguem acesso aos dados. É bom lembrar que esses 17 assassinatos foram registrados apenas em Pedro Juan e Ponta Porã. Não estão incluídas execuções ocorridas em outras cidades da Linha Internacional, como Paranhos (MS) e Capitán Bado (Paraguai). Guerra do tráfico – A escalada sem precedentes da violência é atribuída à guerra travada por facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas e de armas, mas moradores da fronteira afirmam que muitas pessoas são assassinadas por outros motivos e as mortes “colocadas na conta” do crime organizado e dos autodenominados “justiceiros”. Depois da chacina de quatro pessoas (duas delas brasileiras), no dia 9 de outubro, o policiamento foi intensificado dos dois lados, mas nem mesmo a maciça presença da polícia intimida os pistoleiros. Os sicários – como os pistoleiros são chamados nos países de língua espanhola – continuam agindo à luz do dia e ontem, mataram mais um, o advogado Joel Angel Villalba Aguero, 45. Após a chacina que teve entre as vítimas a filha do governador de Amambay, Ronald Acevedo, a Polícia Nacional e a Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) passaram a agir com mais intensidade em Pedro Juan Caballero. Em duas semanas, as forças paraguaias desmontaram três esconderijos de pistoleiros e prenderam 11 suspeitos de execuções, mas até agora não existe denúncia formal e provas contundentes que possam incriminá-los pelos assassinatos mais recentes.