"Jamais esqueceremos sua luta", dizem familiares em despedida de dentista - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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sexta-feira, 15 de outubro de 2021

"Jamais esqueceremos sua luta", dizem familiares em despedida de dentista

"Primo querido, jamais esqueceremos sua luta". A frase na coroa de flores descreve a luta travada pelo cirurgião dentista Gustavo Lima contra a intolerância. Vítima de homofobia em Campo Grande, Gustavo foi encontrado morto em casa na madrugada desta quinta-feira (14). Ele lutava contra a depressão, que se agravou após o episódio em que sofreu preconceito. Mas, Gustavo foi forte. Mesmo depois do episódio que repercutiu no País, não se deixou abalar. "Nós acompanhamos toda a situação desde que aconteceu. Ele continuou. Dizia que não ia parar de vacinar por conta daquilo", comentou Ionize Piazze, coordenadora geral do drive thru do Albano Franco, onde Gustavo era voluntário. "Profissional exemplar, proativo e muito querido", lamentou a mulher. Emocionados, os familiares e amigos cantaram "Prados e Campinas", do Salmo 23, para dar o último adeus a Gustavo, durante velório na tarde desta quinta. Sobram poucas palavras e as que saem, embargam a voz. "Até sexta estava com a gente, tirando sarro, brincando, hoje nosso dia acabou quando recebemos a notícia", disse a coordenadora administrativa do drive, Elaine Cristina Barbosa.Para acompanhar o velório, os trabalhadores do drive do Albano pediram para os colaboradores do drive do Ayrton Sena para que atendessem no local nesta tarde. Morte - Gustavo Lima, de 27 anos, foi encontrado morto na madrugada desta quinta-feira (14). Ele lutava contra a depressão há anos e foi encontrado pelo irmão Adriano Lima, 34, na casa em que vivia com os pais, no Bairro Rita Vieira. Gustavo era residente da UBS do Coophavilla II e voluntário dos pontos de vacinação contra a covid-19 em Campo Grande. No dia 21 de agosto, no drive do Albano Franco, uma mulher recusou o atendimento dele, alegando que a filha adolescente não seria vacinada "por esse tipo de gente: um viado". O caso virou manchete, foi discutido pela Câmara Municipal, Assembleia Legislativa e acabou repercutindo pelo Brasil. “Aquilo deu uma reviravolta maior na vida dele, começou a tomar mais remédios, se sentiu muito triste. Mas ele sempre foi alguém que batalhou muito na vida, que lutou por muita gente. Por isso, ele voltou a trabalhar, voltou a vacinar, voltou a estudar e buscou forças para seguir em frente”, descreve o irmão. Adriano diz que a família também prestou todo apoio necessário a Gustavo, mas não houve tempo de reverter a depressão. “Infelizmente, ele não resistiu”, diz. “O que fica é o melhor irmão, um grande amigo, um grande profissional e um orgulho para a família”, concluiu. Gustavo era formado pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Durante o dia foi homenageado por várias entidades de Campo Grande.