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terça-feira, 9 de novembro de 2021

Agiota tem álibi e confidente matou “tia” para “torrar” 100 mil, conclui polícia

O empresário e motorista de aplicativo Carlos Fernandes Soares, de 33 anos, matou Marcia Catarina Lugo Ortiz, de 57 anos, para “torrar” o dinheiro dela. Confidente da dona de casa, ele tinha as senhas bancárias dela, já havia pego R$ 50 mil em empréstimos com a vítima e depois do assassinato da mulher, a quem chamava de “tia”, gastou R$ 114 mil nos cartões que ficavam na carteira de Márcia.Carlos nega o tempo todo ter matado a mulher cujo corpo foi encontrado no dia 8 de outubro, pouco mais de 12 horas após o desaparecimento. Mas para os delegados João Reis Belo e Camilo Kettenhuber Cavalheiro, que conduziram o inquérito policial, não há dúvidas que o empresário é o assassino. “Dissimulado e extremamente frio”, descreveu Camilo sobre o comportamento de Carlos durante os interrogatórios, diante das provas de que somente ele poderia ter matado Márcia. Dissimulado é pouco, é um mentiroso e cínico”, completou João Reis, titular da 6ª DP (Delegacia de Polícia), durante coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (8) para anunciar a conclusão das investigações, cujo relatório soma mais de 500 páginas.Versão de cinema - O plano maquiavélico de Carlos Fernandes Soares incluiu tentar incriminar o policial civil aposentado Guilherme Yarzon Ortiz, de 66 anos, e depois, Carlos Henrique Machuca Santareno, o “China”, que seria um dos agiotas para quem o suspeito diz que deve dinheiro.A versão que Carlos sustenta é digna de filme. Ele alega que testemunhou a morte da “tia”. Na noite do crime, ele e a vítima estavam em uma Toyota Hilux SW4 preta, locada com objetivo de seguir Guilherme, em busca de provas de que o marido de Márcia colecionava amantes. Os dois teriam sido então abordados na Avenida Bom Progresso, no Jardim Tarumã - bairro do sudoeste da Capital -, por “China” e um comparsa. Márcia, narra Carlos, morreu para defendê-lo do cobrador. O suspeito contou que a situação fugiu do controle e ele “arrancou” com a SW4, momento em que o cobrador disparou tiro, que atingiu a vítima na cabeça. Carlos Fernandes diz ter sido, então, raptado pela dupla. O cúmplice de “China” teria assumido o volante da SW4 e os dois veículos começaram a dar voltas na cidade, até que pararam em ponte sobre o Córrego Imbirussu, na BR-262, onde o corpo de Márcia foi desovado. Depois de tudo isso, Carlos afirma que passou a ser ameaçado e monitorado para não revelar tudo à polícia.Detalhes - A versão dele “caiu por terra” depois da análise de imagens de câmeras de segurança e dados de GPS recuperados, laudos necroscópico e periciais, além da descoberta das dívidas que Carlos tem com agiotas e da gastança após o assassinato.Pelo estado em que o corpo foi encontrado, a perícia constatou que Márcia foi morta por volta 22h do dia 7 de outubro, com tiro na altura do supercílio. O relatório de rastreio do HB20 de cor branca, que estava sendo utilizado por “China”, por sua vez, constatou que na noite do crime, o veículo não passou nem perto do Tarumã, local onde teria acontecido a execução. Além disso, imagens das câmeras da Avenida Bom Progresso também não flagraram nenhuma situação parecida com a perseguição de um HB20 a uma SUV preta e moradores disseram não ter observado nada suspeito ou ouvido disparos de arma de fogo no dia e local do crime. A defesa de “China” também apresentou vídeo da câmera de um imóvel vizinho à residência do cliente. O álibi mostra que Carlos Henrique chegou em casa às 22h05 da noite do dia 7, praticamente na mesma hora da morte, o que seria impossível, uma vez que o até então suspeito, mora a cerca de 20 km do Tarumã, em bairro do norte da cidade. A equipe empenhada na investigação também conseguiu recuperar arquivos apagados das câmeras do lava-jato que pertence a Carlos Fernandes. As imagens mostram o empresário lavando a SW4 preta, na madrugada do dia 8 de outubro, e depois, antes das 6h, fazendo uma ligação. A polícia constatou que o telefonema foi para um funileiro. Carlos precisava consertar a lataria do carro, onde havia marca de tiro, para devolvê-lo. O SUV foi apreendido quando estava em um tapeceiro, já com o estofado arrumado, mas peritos do Instituto de Criminalística conseguiram traçar a rota de disparo de arma de fogo e fazer outras constatações. O tiro que matou Márcia foi dado a uma distância de 20 a 30 centímetros do rosto da vítima – correspondente entre o motorista e alguém no banco do passageiro da SW4 –, também de acordo com a perícia. Embora tenha sido lavado e tenha tido parte do estofado trocado, ainda havia vestígios de sangue no veículo.Policiais não conseguiram encontrar a arma usada do crime, mas a investigação constatou que Carlos tem registrada em nome dele revólver calibre 38 compatível com a que matou a vítima, enquanto a arma apreendida com “China” não é. Viagem suspeita – Carlos Fernandes teve outras atitudes suspeitas, de acordo com a apuração policial. Ele não foi ao velório e nem à cerimônia de cremação de Márcia, embora tivesse bastante intimidade com a vítima, desde que se aproximou dela em dezembro do ano passado. Até ser preso, no dia 15 de outubro, Carlos não havia procurado a polícia e, de acordo com o registrado em relatório do GOI (Grupo de Operações e Investigações), “fugiu” de todas as tentativas de contato que policiais fizeram. No dia seguinte ao assassinato, ele trocou de carro com o namorado, foi para Jardim, passou por Bela Vista e se hospedou em Bela Vista do Norte, no Paraguai, mas o tempo todo conversava com policiais como se estivesse na Capital, marcava e remarcava encontros e chegou a pedir proteção policial para “revelar o que sabia”. Ele alega que foi ao país vizinho para entregar veículo a mando de “China”, que supostamente lhe fazia ameaças, mas para investigadores, a viagem pode fazer parte de seu plano de fuga. Da cidade paraguaia, Carlos partiu em ônibus para Ponta Porã, de onde pegou outra condução com destino a Dourados. Foi preso no meio do caminho, em um hotel no distrito de Vila Vargas.Aproximação – Carlos Fernandes era dono de lava-jato e trabalhava como motorista de aplicativo. Conforme relatado pela família, ele se aproximou do casal, Guilherme e Márcia, há menos de um ano. Era responsável por levar a vítima a consultas médicas, bancos e outras atividades do dia a dia. Por isso, acabou se tornando espécie de confidente da mulher, a quem ela recorreu para “investigar” supostos casos extraconjugais do marido.