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quinta-feira, 4 de novembro de 2021

“Boom” de veículos evidencia problemas crônicos do trânsito em Campo Grande

Até bem pouco tempo atrás não era difícil encontrar quem visitasse Campo Grande e não elogiasse o bom trânsito com suas largas e arborizadas avenidas. No entanto, essa sensação parece ter ficado no passado e aparentemente só na lembrança de algum turista, porque para quem reside e transita pela cidade a realidade é bem diferente.Isso porque, além dos problemas crônicos de ordenamento do trânsito, o número de veículos na Capital teve um 'boom' nas últimas duas décadas. Segundo dados do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), Campo Grande registra um aumento de 284,2% na frota de veículos. Em 1999 possuía uma frota de 159.173 veículos. Esse número saltou para 611.564 em 2021. Um crescimento quase quatro vezes maior na evolução da frota, o que significa 1.36 veículo por habitante habilitado, para uma população de 916.001 mil pessoas. Mesmo com reordenamento do trânsito feito recentemente em alguns pontos mais críticos, o motorista não se vê livre dos percalços em horários de pico, como por exemplo no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Bahia, que trava em ambos os lados. “Neste horário sempre há lentidão”, relata a professora Mirieli Abreu, 37, que utilizava a Rua Bahia, às 7h30, para se deslocar ao trabalho. No mesmo local, a reportagem conversou com a doméstica Neusa Rosane, 55, no momento em que descia do carro e seguia para o trabalho em um edifício localizado em frente ao cruzamento. Ela utilizava transporte por aplicativo e diz que já teve dificuldades para voltar para casa devido à recusa de motoristas por causa da lentidão do trânsito. “Muitos motoristas preferem cancelar a viagem porque é difícil fazer a conversão à esquerda já que o prédio fica do lado direito”, reclama. Estacionado próximo ao cruzamento da Afonso Pena com Padre João Crippa, onde havia fluxo pesado e orientação aos condutores, por agentes da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), o motorista de aplicativo há quatro anos, Nilson Gonçalves, 26, confessa que já teve que cancelar corridas, mas que sempre tenta explicar ao passageiro as condições do trânsito. Ele garante que os transtornos são antigos e que as atuais obras de revitalização no centro dificultam ainda mais seu trabalho. “Por causa do trânsito pesado, às vezes temos que andar mais de dois quilômetros para encontrar uma alternativa de embarcar o passageiro, que muitas vezes não quer esperar e cancela a corrida também. Isso não é de hoje, no cruzamento da Afonso Pena com José Antônio, por exemplo, já perdi muitas viagens. Imagina agora com vários desvios por causa dessas obras”, exclamou.