De volta à cracolândia, Orla Ferroviária é sonho que desperdiçou R$ 4 milhões - - CANAL MS

LEIA TAMBÉM

Campo Grande (MS),

Post Top Ad

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

De volta à cracolândia, Orla Ferroviária é sonho que desperdiçou R$ 4 milhões -

Encaixadas com esmero no calçamento da Orla Ferroviária, as pedras portuguesas deveriam ser caminho de uma pulsante rua 24 horas, num espaço que congregasse lazer, gastronomia e resgate histórico. Mas os grandes planos, datados de 22 de dezembro de 2012, quando a obra de R$ 4,8 milhões foi inaugurada, se perderam no tempo. - Encarcerado pelas construções vizinhas, o corredor cultural não se integrou a Campo Grande e pelas pedras portuguesas, também chamadas petit-pavé, só marcam presença os passos errantes dos usuários de drogas. A cracolândia, que ocupa a orla de ponta a ponta, exibe o drama da dependência química e também afugenta as pessoas, temerosas de furtos e roubos. Os recursos foram financiados pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). “Estamos mortos aqui. Tem o problema da cracolândia, uma grande quantidade de usuários de drogas. É um chiqueiro a céu aberto. Serve de banheiro, roubo, tudo quanto é tipo de sacanagem”, afirma um morador de 54 anos, que, por medo, pediu para não ter o nome divulgado. - Ele sugere a abertura de uma rua, com mais uma opção de acesso para a Avenida Ernesto Geisel. No ano passado, a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) defendeu que o local virasse estacionamento, capaz de comportar até 800 carros, amenizando a escassez de vagas no Centro. -“Ficou tão bonito essa área quando fizeram. De repente, quando terminarem as obras do Centro [Reviva Centro], vai ficar bom aqui também. É o que a gente espera”, diz. O aposentado Alberto Cabrera, 62 anos, que mora na Rua dos Ferroviários, cobra mais segurança. “De dia, até que dá para transitar, mas à noite, não temos segurança. Quando vejo, desvio para o outro lado da rua", relata sobre a difícil convivência com uma cracolândia. -Vagões perdidos – O corredor gastronômico foi ativado em 2013, quando nove vagões foram alugados a comerciantes, por valores de R$ 1.200 a R$ 2 mil. Nas cores verde e vermelha, os vagões eram dotados de infraestrutura básica: banheiro, cozinha e instalações de energia elétrica, água e esgotamento sanitário.