Dez famílias resistem em casas da Av. Afonso Pena, uma há 87 anos - - CANAL MS

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Campo Grande (MS),

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quarta-feira, 2 de março de 2022

Dez famílias resistem em casas da Av. Afonso Pena, uma há 87 anos -

As histórias das famílias são semelhantes em alguns aspectos, porém divergem nos pequenos detalhes. A Avenida Afonso Pena é o elo de encontro, endereço em comum compartilhado por essas pessoas e ponto de partida de narrativas que vieram antes dos hotéis de luxo, farmácias e lojas chiques. - Em meio a diversos prédios comerciais, dez residências familiares resistem ao ruído do trânsito intenso, propostas de compradores e as mudanças paisagísticas. Entre batidas no portão e toques na campainha, somente seis moradores atenderam e aceitaram conceder entrevista ao Lado B. Muito além de uma via pública que atravessa 7.8 quilômetros de Campo Grande, a Avenida Afonso Pena é o lar daqueles que chegaram e nunca sentiram vontade de partir. Boa localização, conforto, herança dos pais e memórias afetivas são algumas das razões que fizeram essas mulheres e homens serem os últimos a permanecerem. - Uma das casas mais antigas da Avenida Afonso Pena, datada de 1935, já apareceu no Lado B. Atualmente, Paulo Martin Bordenaruk, de 57 anos, é o único a morar no local, que um dia pertenceu à avó Isabel Chaparro Barbosa. Em 1965, primos e tios eram seus vizinhos, porém com o tempo os familiares procuraram outros endereços para residir. - Paulo acompanhou de perto cada transformação da avenida e ainda se lembra dos antigos cenários. “Ali onde é o banco, era um barzinho, na esquina era mato e não tinha nada disso aí. Foi alugando, vai trocando, cada um vai seguindo e vai acabando”, diz. O lugar sossegado, a grama onde brincava e as casas dos parentes foram substituídos pelo barulho dos automóveis, a ciclovia e os pontos comerciais. Ao recordar o passado, Paulo comenta que a avenida não apresentava os mesmos perigos de hoje. “Não tinha movimento, assalto, era bem mais tranquilo”, afirma. Apesar dessas alterações, ele garante que gosta de morar na região devido a proximidade do centro, o policiamento e o fato de ter crescido ali com os pais e irmãos. Como tudo na vida tem um preço, Paulo revela que não é pouco a quantia paga no  IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). “É caro morar aqui, o IPTU normal é de quase R$ 10 mil. Se você não tiver um bom emprego,  renda,  você não aguenta ficar, mas ainda assim tem as vantagens”, conta. - No lado direito da residência do Paulo, vivem três irmãos que também chegaram há mais de cinquenta anos. Teresa de Arruda Barros, de 92 anos, é a proprietária de um dos três imóveis do terreno e, em razão da idade, é cuidada pela irmã Nadir Vieira, de 67 anos. -