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sexta-feira, 15 de abril de 2022

Entenda a doença grave que deixou o jornalista Fernando de Brito

O jornalista Fernando de Brito, 37 anos, foi diagnosticado na semana passada com osteonecrose e pequeno derrame articular em ambas as pernas e deverá ser submetido à cirurgia para implantação de prótese na perna direita e uma tentativa de recuperação da perna esquerda por meio de um procedimento cirúrgico, com chances de 30% a 40% de sucesso ou a implantação de prótese nas duas pernas. Na última quarta-feira (13), Brito passou por uma consulta à distância, por meio de recursos da internet, com um dos melhores especialistas do Brasil, Dr. Bruno Rabello, do Rio de Janeiro (RJ), onde conversou com o paciente e analisou cuidadosamente os exames de ressonância magnética e de radiografia. Para o especialista em quadril, não há duvidas que a doença é grave e requer tratamento de urgência. Foi solicitado mais uma tomografia computadorizada da perna esquerda, para ser observado com mais exatidão, qual o quadro atual da perna, que possivelmente teria chances de recupera-la. O exame foi realizado na manhã desta quinta-feira (14) em Chapadão do Sul (MS) e deve chegar o laudo nas próximas horas. RELAÇÃO COM O TRATAMENTO COVID Em junho de 2021, Fernando de Brito contraiu Covid-19 pela 2ª vez, com sintomas graves da doença. Ficou internado no PAM - Pronto Atendimento Médico de Paraíso das Águas, onde foi medicado. Ao agravar a doença, Brito seguiu para Campo Grande (MS), onde passou por um médico cardiovascular, que administrou várias medicações, entre elas com corticoide, primordial no tratamento contra a covid. Com o uso desta medicação com este componente, tanto em Paraíso das Águas, quanto em Campo Grande, houve a reação agravante, causando esta osteonecrose. Não há previsão para a realização da cirurgia, que deverá ser requerida judicialmente, informou Fernando de Brito. Para conter um pouco a dor e facilitar sua mobilidade, o jornalista faz uso de uma cadeira de rodas provisoriamente. O tratamento também segue em Campo Grande (MS), por um dos melhores especialistas de Mato Grosso do Sul, o ortopedista, especialista em quadril, Dr. Rodrigo Laraya. Este mesmo médico, escreveu para o site Terra, o que causa esta doença e o tratamento, veja abaixo: Dor na região da virilha, dificuldades para mover a articulação dessa região, dificuldades para ficar em pé ou até mesmo caminhar pequenas distâncias. Esses são alguns dos sintomas da osteonecrose da cabeça femoral, doença provocada pela morte das células ósseas da cabeça do fêmur, por deficiência de irrigação sanguínea, que acomete principalmente jovens, é oito vezes mais frequente no sexo masculino, e ocorre em ambos os lados em até 80% dos casos. "Apesar de ser mais conhecida na cabeça femoral, outros ossos também podem ser afetados, incluindo o fêmur distal (joelho), úmero proximal (ombro) e vértebras. Mais de 20.000 pessoas a cada ano iniciam tratamento para osteonecrose do quadril", alerta Bruno Rabello, Ortopedista, membro da Sociedade Brasileira de Quadril, e da Academia Americana de Medicina Regenerativa. O problema pode estar relacionado a vários fatores, entre eles, diabetes, anemia falciforme, traumas na região do quadril, ingestão de bebidas alcoólicas e o uso de drogas antirretrovirais. Entretanto, de acordo com o especialista, há ainda um fator ligado ao seu desencadeamento, que está amplamente presente no dia a dia das pessoas, e que por isso merece atenção: o uso indiscriminado de corticoides. Quem tem algum membro da família alérgico, com certeza, já ouviu falar deste tipo de medicamento. O que a maioria das pessoas desconhece é que os corticoides são hormônios produzidos pelas glândulas suprarrenais, que apresentam diversos efeitos colaterais, sendo um deles, a obstrução dos pequenos vasos que irrigam a cabeça do fêmur. "A necrose do osso, além de levar a alterações de remodelação do formato da cabeça femoral, contribui para a destruição da articulação e o comprometimento da cartilagem articular. A evolução natural desta patologia é a artrose de quadril", explica o médico. Segundo o especialista, a indicação desses medicamentos se dá pela sua ação anti-inflamatória, e embora se acredite que uma única aplicação, com alta concentração, por via venosa, possa desencadear o problema mais rapidamente, ainda não existe uma relação específica entre tempo, dose e via de administração da droga, para causar o problema, que pode demorar anos para se tornar sintomático. "O uso tópico, o oral, e o intranasal, este último muito comum no tratamento de rinites, também estão incluídos neste processo. É muito importante que as pessoas se conscientizem sobre os riscos e as indicações dos corticoides", alerta. Para tratar o problema, os esforços dos especialistas giram em torno de medidas de preservação da articulação, através de procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos. "Até bem pouco tempo atrás, utilizávamos enxerto sintético na região, mas com o avanço da Terapia Regenerativa, a descompressão, associada ao enxerto de medula óssea, vem sendo apontada, por alguns estudos, como uma opção mais interessante nesse sentido de tratamento, dado o estímulo mais natural à formação de osso sadio que ocorre", diz. E completa: "Nos casos onde a degeneração articular atingiu estágios avançados, a substituição da articulação por uma prótese é o tratamento preconizado, visando à diminuição da dor e melhora da qualidade de vida", conclui.